quinta-feira, 19 de abril de 2018

Tempo


Eu não sei quando aconteceu, mas uma manhã eu acordei, olhei no espelho e estava lá. Eu já tinha me acostumado tanto que precisei olhar por alguns minutos para ter certeza. Meu rosto, meu corpo, minha alma já tem quase dez anos a mais que quando eu escrevi a primeira linha tosca neste refúgio.
De lá para cá eu mudei tanto e ao mesmo tempo não mudei nada. Ainda sofro por coisas que não importam realmente, ou que talvez importem demais. Ainda rio de piadas sem graça e me divirto com programas de televisão. Ainda olho para o céu com esperança e impaciência. O meu mal é a impaciência, porque eu corro com um monte de coisas, mesmo sabendo que bem lá no fundo, eu só quero que o tempo passe o mais devagar possível. Ele já correu tanto até aqui, já passou tão depressa até agora. Eu só quero desacelerar, quero voltar a ler na rua enquanto caminho sem pressa. Quero tomar um café sentada tomando sol, enquanto o vento é frio de manhã. Quero te olhar nos olhos por mais de meia hora seguida. Estou farta dessas doses tão pequenas de paz em meio ao turbilhão. Estou farta de ter que fazer coisas que não sei fazer para provar para ninguém que sou capaz - ou incapaz!
Estou farta de me sentir tão burra, tão lenta, tão velha...

sexta-feira, 27 de outubro de 2017



Se eu olho para a janela embaçada do ônibus,
tudo faz sentido.
Se a água sobe, não desce,
a vida é como um ciclo.
Se eu volto e mudo o que é casa,
posso ser infinito?

domingo, 27 de novembro de 2016

O que eu quero.

Eu quero a beleza de sentir que nada mais importa. Quero a leveza de não ter horário ou compromisso. Quero o detalhe, o toque, o roçar. Quero o instante que leva horas. Quero você!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

"A bolsa amarela tava vazia à beça.

... Tão leve. E eu também, gozado, eu também estava me sentindo um bocado leve."
(A bolsa amarela - Lygia Bojunga)

Este é o último parágrafo do meu livro favorito no mundo inteiro. Ultimamente eu tenho me sentido assim: leve. E com vontade de escrever... Acho que perdi completamente o jeito ou então esse tal de jeito nunca esteve em mim. Quero dizer, escrever e reescrever conforme antes fazia mas não me chegam palavras que me agradem. É só essa vontade de gritar para o mundo: me sinto infinita e profundamente bem!