sábado, 12 de dezembro de 2009

A que era mulher de verdade! - Parte IV - Desabafo da Amélia

O tempo passou, Amélia e Fábio se casaram mas, não foi tudo como imaginavam.
Quando completava 4 meses de gravidez, Amélia descia as escadas de sua casa, quando, por um descuido tropeçou, os degraus pareciam não ter fim, já que ela não os viu... Chegou desacordada ao hospital, e ao despertar recebeu a notícia: Não haveria mais bebê.
Os dois nunca mais pensaram em ter filhos, nem falavam nesse assunto.
O tempo passava mais e mais, Amélia já tinha seus 30 anos, quando voltava da casa de sua mãe junto com Fábio e decidiram parar em uma praça.
Se sentam um em cada ponta do banco, ele coloca o cigarro do lado, abre o jornal e começa a ler, ela senta com as pernas juntas, e fica olhando para os lados procurando algo para fazer ou observar, olha para ele, olha para os lados, vai ficando irritada, olha de novo pra ele... Ele continua olhando o jornal, ate que ela não aguenta, e tenta conversar.
_Lembra quando éramos adolescentes? E ficávamos namorando neste banco? A gente nem via o tempo passar, só queríamos ficar juntos. Mas agora depois de casados que estamos juntos, você nem me dá mais atenção, nem me beija mais. Só quer saber desse jornal. Por que eu te amei Fábio? Por que as pessoas tem que amar, hein? O amor deveria ser proibido, bem, proibido não, pois que tudo o que é proibido é mais gostoso, mas ao menos os amores deveriam der desmotivados, algo parecido com essas campanhas contra o cigarro. Imagine só, no intervalo de cada novela, após vermos os sofrimentos de amor de uma dessas abestalhadas que se chamam "Helena" e que ficam 235 capítulos sofrendo por um cara que no fim das contas não vale a pena, no intervalo nós veríamos fazer campanhas dizendo "minha queria telespectadora, não ame, pois o amor pode ser prejudicial a tua saúde". Relatos sobre pessoas que se mataram por amor, que enlouqueceram por amor, que jogaram suas vidas na lata de lixo por conta deste conceito abstrato. Mas acho que não adiantaria, veja você, fumando um cigarro onde no verso está escrito: "fumar causa câncer", e pouco se importando... Sabe... Por incrível que isso lhe pareça, um dia eu tive sonhos... Sonhei, por exemplo, em ser atriz! Todos diziam que eu tinha talento pra isso. Mas você, não gostava do teatro, ou melhor, não gostava de ver a "sua mulher" metida junto com esse "bando", que é como você sempre chamou o pessoal do teatro! E você com toda essa pinta de intelectual, nunca conseguiu assistir uma poça inteira comigo. Quantos amores eu teria vivido, que caminhos eu não teria seguido, quantos papéis eu não teria interpretado? Eu poderia ter contracenado com cada ator lindo! Fábio Assunção, Rodrigo Santoro, hum! Eu poderia ter casado com o Rodrigo Santoro! É, mas eu tive que abandonar a arte para que pudesse me dedicar a você. Porque eu te amo.
Olha para ele, ele continua lendo, nervosa pega o jornal, joga no chão e sai. Ele pega o jornal do chão, guarda o cigarro no bolso, e depois sai tranquilo.

FIM

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