quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Psicologia de um vencido.

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do Zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me a boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos


Estava folheando um dos meus livros do colégio e, me deparei com este poema. Gostei muito dele por vários motivos. Gostei muito das palavras fortes que ele usa. Do impacto que causam nos leitores, pelo menos causaram em mim... Então tá aí.. Apreciem sem moderação!

Ah! Para quem quiser variar, passa no meu blog novo o Caramelo de Limão.

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