segunda-feira, 31 de maio de 2010

Assim começa mais um dia.

Era ainda muito cedo, a neblina nem se dissipara por completo, os primeiros raios de sol ameaçavam aparecer. E eu, recostada em uma parede, em um dos poucos lugares do local onde o sol era levemente mais intenso. Eu tremia de frio, mesmo estando com três blusas nada pequenas e um par de meias que me cobriam até as coxas. Eu sentia o silêncio, ainda que ouvisse um murmurar de vozes que conversavam ao longe, o assunto deveria ser interessante, já que não cessavam de falar, mas eu pouco me importava, qualquer fútil assunto não me era interessante naquele momento. Eu havia me fartado de assuntos fúteis, de gente fútil, da vida fútil. Mas não queria me fartar do mundo, e talvez de sua futileza. Este poderia ser só mais um dia daqueles em que você acorda mal-humorada, ou talvez fosse uma TPM ligeiramente adiantada, ou até mesmo vestígios da semi-briga que tive com o Alex ontem, mas eu preferia pensar que fora por minha mãe ter conseguido me irritar pela manhã, me culpando de coisas que eu não fizera e não acreditando em nada que eu dissesse à meu favor. Não importa, a aspereza passaria, era só uma questão de tempo e de isolamento.
Bem, após o que, ou melhor, quem eu vi dobrar a esquina eu já nem quis ficar só, quieta ou parada. Me repeli no desejo de ir a seu encontro e, simplesmente, esperei. Ali mesmo onde estava, era um óptimo lugar para observar. Não havia visto seu rosto, mas pela silhueta que se me movia através da levemente densa neblina e por esta forma de se mover eu imediatamente o reconheci: Alex.
Já não importava nossa quase-briga de ontem, ou meu strees matinal, nada já me importava. Aos poucos foi se aproximando, me olhando nos olhos. Com aqueles seus olhos verdes, olhos o quais eu sou capaz de me apaixonar cada vez que olho. Encostou levemente seus lábios em minha testa, estavam frios, mas deliciosos. Em seguida em meus lábios, dessa vez com mais ardor. E todo o resto foi embora.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O sol que nasce e morre
Todo dia sem parar
Devagar o dia corre
Demorando acabar

Com um céu azul turquesa
E uma grama bem verdinha
Esbanjando sua beleza
Em uma tarde simplezinha

Mas logo acaba o dia quente
E a noite é muito fria
A lua linda é um presente
De uma noite tão vazia

Então chega o amanhecer
E a minha vida se aquece
Procurando entender
Como tudo acontece

Jamille Marques

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Abelhinha (esquete teatral)

Elenco:

· Ana Paula

· Lílian

· Jamille Marques

*As personagens tem os nomes de seus respectivos atores.

--//--

Jamille está no palco. Ana entra. Elas se cumprimentam.

JAMILLE: E aí? Quer ficar rica?

ANA: Todo mundo quer, né? Mas como?

JAMILLE: Com a abelhinha, ué?

ANA: Mas não é difícil?

JAMILLE: Que nada! É bem simples, é só você fechar os olhos e falar assim: “abelhinha, abelhinha, bota mel na minha boquinha”, e abrir a boca para ela colocar o mel.

ANA: Só isso? Então vou fazer – fecha os olhos – Abelhinha, abelhinha bota mel na minha boquinha – abre a boca.

Quando Ana fecha os olhos, Jamille enche a boca com a água de uma garrafa que já estava em um canto do palco desde o começo. Quando Ana termina sua fala, Jamille joga água em Ana que sai furiosa. Jamille ri. Lílian entra.

JAMILLE: Agora vou pegar outra trouxa!

LÍLIAN: O que aconteceu com a Ana?

JAMILLE: Ela quis ficar rica, mas primeiro teve que tomar um banho.

LÍLIAN: Ficar rica? Como?

JAMILLE: Com a abelhinha, ué?

LÍLIAN: Mas não é difícil?

JAMILLE: Que nada! É bem simples, é só você fechar os olhos e falar assim: “abelhinha, abelhinha, bota mel na minha boquinha”, e abrir a boca para ela colocar o mel.

LÍLIAN: Só isso? Então vou fazer – fecha os olhos – Abelhinha, abelhinha bota mel na minha... Mãozinha! – estende a mão.

Quando Lílian fecha os olhos, Jamille enche a boca com a água. Quando Lílian diz “mãozinha”, Jamille joga a água que estava em sua boca para o lado.

JAMILLE: Não, não é mãozinha! Faz de novo.

LÍLIAN (de olhos fechados): Abelhinha, abelhinha bota mel na minha... Bundinha – aponta para a bunda.

Quando Lílian fecha os olhos, Jamille enche a boca com a água. Quando Lílian diz “bundinha”, Jamille joga a água que estava em sua boca para o lado.

JAMILLE: Não, não é bundinha! Faz mais uma vez.

LÍLIAN (de olhos fechados): Abelhinha, abelhinha bota mel na minha... Cabecinha – mostra a cabeça.

Quando Lílian fecha os olhos, Jamille enche a boca com a água. Quando Lílian diz “cabecinha”, Jamille joga a água que estava em sua boca para o lado.

JAMILE (com raiva): Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaao! Não é cabecinha!

LÍLIAN: Não? Então é o quê? Faz para eu ver.

JAMILLE (fechando os olhos): É abelhinha, abelhinha bota mel na minha boquinha. – abre a boca.

Quando Jamille fecha os olhos, Lílian enche a boca com a água. Quando Jamille termina sua fala, Lilian joga água na Jamille. Jamille sai furiosa.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Continue a história

-Ei, Kouraj! Vamos logo, ou o rio ficará maia agitado do que já está.
-Já estou indo, Haraka. Estava só procurando este remo.
-Para quê? Aqui já tem dois, o que é mais do que necessário para chegar ao outro lado.
-Eu sei
, mas não custa se precaver.
-Ah! Tudo bem, mas venha depressa, entre!
Entraram ambos no pequeno igarité e remando seguiram pelo Amazonas que aos poucos, se atormentava mais e mais, conforme se avançava. Era mais uma chuva da tarde chegando, Haraka estava certo, era melhor que eles se apressassem, aquela nem de longe seria como as anteriores.
-Olhe, Kouraj! Cuidado!
Kouraj, olhando para trás só pôde ver um galho enorme de castanheira descendo velozmente pelo rio, galho este que bateu no igarité, acertando também em cheio a cabeça de Kouraj, que desmaiou de momento.
Haraka, em desespero, só pôde sentir um grito escapar de sua garganta. O desespero lhe dominou por um momento, e ele sequer soube o quê fazer.
Foi quando viu que, ao bater no igarité, o galho fizera um pequeno rombo neste. Embora pequeno, através de tal entrava muita água na embarcação. E agora, com um amigo e quase irmão desacordado, em meio ao segundo maior rio do mundo, em um igaraté furado, o que Haraka deverá fazer?

(opinem)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Historinha

Era uma vez uma garota, que mesmo cercada de colegas não sentia poder dizer que tenha amigos. Ela tinha 15 anos e, resolvera que o melhor para si mesma agora seria dedicar-se somente aos estudos, esquecer de todo resto, abandonar a vida social.
Um dia, surgiu, na aula de língua portuguesa, um trabalho sobre a história da cidade. Trabalho esse que deveria ser feito em grupos, formados por três pessoas, que morassem próximos uns aos outros.
Como estes colegas dela moravam todos longe da garota ela não pode fazer com eles. E a ela couberam dois alunos com os quais nem falava: Ungas e Alex. Eles se sentavam do outro lado da sala, mas ela já havia comentado com umas das colegas sobre um deles. Fora uma citação rápida, mas de valor.
"--Ei! Qual garoto da sala você acha mais bonito?
--Ah! O Verlei até que é bonitinho... Eu gosto do Gud também. E o Alex também é bonito, não acha?"

O que se seguiu já não importa, para ela não fora nem um pouco importante o comentário que Spogulis havia feito. O trabalho consistia em entrevistar os pioneiros da cidade.
Marcaram um dia, se encontraram já próximos da casa de sua entrevistada. É um pouco estranho isso já que poderiam ter ido juntos pois, moravam no mesmo bairro.
Durante a entrevista correu tudo muito bem, praticamente só Jéssica (a garota em questão) falou, já que se achava melhor que eles, mesmo sabendo que não era verdade. Após a entrevista foram fazer uma pesquisa biblioteca e precisaram tirar uma cópia do livro.
Então, mesmo podendo ir só um ou outro, todos foram. Para se chegar à onde queriam precisavam atravessar uma avenida, que por acaso estava movimentada. Jéssica estava entre os dois garotos e, só ela vira o carro que se aproximara. Fora um instinto meio estranho o que fez com que ela colocasse o braço na frente de apenas um deles, protegendo-o. Era Alex.
Não. Nada aconteceu entre eles neste dia e nem em todos os outros que se seguiram nesse ano. Mas com o tempo se tornaram amigos. Brincaram na chuva feito criança. Passaram o melhor feriado de todos. E a sua amizade virou amor.
Passaram-se um mês, dois meses, três meses, quatro meses, cinco meses, seis meses, sete meses, oito meses!
Ontem foi aniversário de oito meses de namoro, desse casal que brinca, briga, se diverte, vive! E, principalmente, se ama!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Só mais um dia meu

Como eu já havia dito, vamos nos mudar e, hoje, fomos ver uma casa para comprarmos.
Não é a primeira vez que meu pai vai vê-la, mas é a primeira vez que ele consegue ver.
A primeira visita foi há umas duas semanas, eu fui ao foto e na volta passei na casa do Alex. Fiquei enrolando lá até umas 18:30 e quando cheguei em casa meus pais não estavam.
Chegaram trazendo a notícia: o homem, que nem é dono da casa, mora lá de aluguel, não havia os deixado entrar. Não adiantou meu pai dizer que o dono tinha permitido, nem nada. Foram praticamente enxotados.
Achei o cúmulo do cúmulo. Quanta ignorância!
Bem, o dono dessa casa que eu digo está muito doente e, fazendo um tratamento médico caríssimo, precisa do dinheiro da venda da casa e, eu acho, que o inquilino deveria ter o mínimo de compreensão.
Todos que vivem em casa de aluguem sabem que, uma hora ou outra, o dono poderá pedi-la e ele deverá entregar.
Hoje, antes de ir até a casa, meu pai falou com o dono desta, que pediu que o inquilino o telefonasse quando alguém fosse ver a casa.
Chegamos. Ele mal ouviu o barulho do carro e olhou pela janela, desconfiado, sempre desconfiado. Meu pai desceu, foi atendido pela janela. O homem ligou para o dono da casa. Entramos.
Logo na sala não havia móveis, somente um computador e uma mesa própria para este, na janela, ao invés de uma cortina estava uma colcha florida e de mal gosto. Continuei seguindo pelo corredor. Vi uma porta fechada e a abri cautelosamente, era um banheiro simples, pequeno, decorado em preto, escuro.
Continuaria minha estranha exploração se não fosse surpreendida por um garoto atrás de mim, com um urso de pelúcia na mão.
--Oi! -- Ele disse.
Mas que "oi" simpático fora aquele! Respondi com um sorriso mudo e prossegui. Na próxima porta havia um quarto e depois outro, onde mais duas crianças brincavam sentadas no chão, já que era o único lugar onde poderiam se sentar naquela sala vazia. Depois mais um quarto e, então, uma escada.
Não pensei, desci os dois passes e cheguei a outro corredor e encontrei outro banheiro, cheio de roupas e calçados, no chão, pendurados, enfim, por todo o canto. Na cozinha não era diferente, e lá estava ele, nos olhando como se fossemos inimigos mortais.
Do seu lado a mulher, toda sem graça, nos pedindo desculpas com o olhar, por sua "estranha" família.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

É a Alice Certa!



Eu ouvi várias opiniões sobre o filme antes de assisti-lo e, confesso, fiquei com o pé atrás, pensando se valeria a pena... Mas, por fim acabei vendo e, sabem o que achei?
SIMPLESMENTE O MÁXIMO!
É lindo! O lugar é perfeito. A história, óptima. O contexto, que muitos criticaram não atrapalha a compreensão e nem prejudica o filme como todo.
Jhonny Deep, como sempre, em uma interpretação magnífica e, bem, Tim Burton... Ele é Tim Burton, ? Nem tem o que falar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Re-inauguração?

Vocês devem se lembrar deste post. Nele eu falei sobre a "tal" inauguração, a "tal festa", a "tal" placa. Pronto! Cheguei onde eu queria: a placa. Sim! Ela mesma, que foi descoberta teatralmente com um TNT azul simbolizando a inauguração do "novo Stella Maris".
Essa semana, um pouco tardiamente confesso, percebi que essa placa já não estava lá. Não entendi de momento o porquê, já que ela era o símbolo da "tão esperada" reforma concluída. Então me toquei do óbvio: não havia nada de errado em ela não estar ali, quem estava errada era eu que, não deveria me lembrar de que ela precisava estar lá. Ninguém deveria lembrar, ninguém deveria dizer para os outros se lembrarem. A placa deveria ser esquecida e só relembrada nas eleições, nos plebiscitos, quando estivessemos em frente a urna eletrônica que, com sua "avançada tecnologia" não permite erros na contagem dos votos, fazendo com que seja eleito aquele em que a maioria votar. Aqui, neste glorioso país de falso primeiro mundo, não precisamos deste tipo de coisa suja. Temos outros meios de nos elegermos.

domingo, 2 de maio de 2010

Mudanças

Isso de passado não deu muito certo, no começo eu até que gostei mas, me foi enjoando. Eu nem terminei mas, se um dia me der na telha eu termino.
O melhor agora é falar de coisas novas, boas ou ruins, e as que eu ainda não sei como definir. Ontem meu pai vendeu nossa casa, antes, quando ele colocou à venda eu fiquei feliz, queria mesmo me mudar daqui, não que eu não goste, na verdade é bom, moro aqui desde que me lembro. Eu sei que morei em uma outra casa, em outro bairro mas, nem me lembro, era um bebê. Mas, eu queria me mudar, morar mais perto do centro, numa casa melhor, ter um quarto só para mim, decorá-lo como quiser, enfim... Queria por motivos fúteis e tolos. Hoje já nem sei se quero mais. Onde moro em 5 minutos, à pé, chego à casa do meu namorado. Onde vou morar, chego em de 35 a 40 minutos. Ninguém merece, é oito vezes mais longe, oito vezes mais longe dele, oito vezes mais longe do colégio, oito vezes mais perto da minha família, oito vezes mais longe e mais perto, oito vezes pior e melhor.