segunda-feira, 31 de maio de 2010

Assim começa mais um dia.

Era ainda muito cedo, a neblina nem se dissipara por completo, os primeiros raios de sol ameaçavam aparecer. E eu, recostada em uma parede, em um dos poucos lugares do local onde o sol era levemente mais intenso. Eu tremia de frio, mesmo estando com três blusas nada pequenas e um par de meias que me cobriam até as coxas. Eu sentia o silêncio, ainda que ouvisse um murmurar de vozes que conversavam ao longe, o assunto deveria ser interessante, já que não cessavam de falar, mas eu pouco me importava, qualquer fútil assunto não me era interessante naquele momento. Eu havia me fartado de assuntos fúteis, de gente fútil, da vida fútil. Mas não queria me fartar do mundo, e talvez de sua futileza. Este poderia ser só mais um dia daqueles em que você acorda mal-humorada, ou talvez fosse uma TPM ligeiramente adiantada, ou até mesmo vestígios da semi-briga que tive com o Alex ontem, mas eu preferia pensar que fora por minha mãe ter conseguido me irritar pela manhã, me culpando de coisas que eu não fizera e não acreditando em nada que eu dissesse à meu favor. Não importa, a aspereza passaria, era só uma questão de tempo e de isolamento.
Bem, após o que, ou melhor, quem eu vi dobrar a esquina eu já nem quis ficar só, quieta ou parada. Me repeli no desejo de ir a seu encontro e, simplesmente, esperei. Ali mesmo onde estava, era um óptimo lugar para observar. Não havia visto seu rosto, mas pela silhueta que se me movia através da levemente densa neblina e por esta forma de se mover eu imediatamente o reconheci: Alex.
Já não importava nossa quase-briga de ontem, ou meu strees matinal, nada já me importava. Aos poucos foi se aproximando, me olhando nos olhos. Com aqueles seus olhos verdes, olhos o quais eu sou capaz de me apaixonar cada vez que olho. Encostou levemente seus lábios em minha testa, estavam frios, mas deliciosos. Em seguida em meus lábios, dessa vez com mais ardor. E todo o resto foi embora.

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