quarta-feira, 12 de maio de 2010

Só mais um dia meu

Como eu já havia dito, vamos nos mudar e, hoje, fomos ver uma casa para comprarmos.
Não é a primeira vez que meu pai vai vê-la, mas é a primeira vez que ele consegue ver.
A primeira visita foi há umas duas semanas, eu fui ao foto e na volta passei na casa do Alex. Fiquei enrolando lá até umas 18:30 e quando cheguei em casa meus pais não estavam.
Chegaram trazendo a notícia: o homem, que nem é dono da casa, mora lá de aluguel, não havia os deixado entrar. Não adiantou meu pai dizer que o dono tinha permitido, nem nada. Foram praticamente enxotados.
Achei o cúmulo do cúmulo. Quanta ignorância!
Bem, o dono dessa casa que eu digo está muito doente e, fazendo um tratamento médico caríssimo, precisa do dinheiro da venda da casa e, eu acho, que o inquilino deveria ter o mínimo de compreensão.
Todos que vivem em casa de aluguem sabem que, uma hora ou outra, o dono poderá pedi-la e ele deverá entregar.
Hoje, antes de ir até a casa, meu pai falou com o dono desta, que pediu que o inquilino o telefonasse quando alguém fosse ver a casa.
Chegamos. Ele mal ouviu o barulho do carro e olhou pela janela, desconfiado, sempre desconfiado. Meu pai desceu, foi atendido pela janela. O homem ligou para o dono da casa. Entramos.
Logo na sala não havia móveis, somente um computador e uma mesa própria para este, na janela, ao invés de uma cortina estava uma colcha florida e de mal gosto. Continuei seguindo pelo corredor. Vi uma porta fechada e a abri cautelosamente, era um banheiro simples, pequeno, decorado em preto, escuro.
Continuaria minha estranha exploração se não fosse surpreendida por um garoto atrás de mim, com um urso de pelúcia na mão.
--Oi! -- Ele disse.
Mas que "oi" simpático fora aquele! Respondi com um sorriso mudo e prossegui. Na próxima porta havia um quarto e depois outro, onde mais duas crianças brincavam sentadas no chão, já que era o único lugar onde poderiam se sentar naquela sala vazia. Depois mais um quarto e, então, uma escada.
Não pensei, desci os dois passes e cheguei a outro corredor e encontrei outro banheiro, cheio de roupas e calçados, no chão, pendurados, enfim, por todo o canto. Na cozinha não era diferente, e lá estava ele, nos olhando como se fossemos inimigos mortais.
Do seu lado a mulher, toda sem graça, nos pedindo desculpas com o olhar, por sua "estranha" família.

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