quarta-feira, 9 de junho de 2010

Deus o quiz

Ontem foi um dia santo. E é desde 1264. Santos deveriam ser todos os dias, mas não o santo do Santo. O santo som dos sinos dento do peito que faz tum 

tum 

tum 

e para. Depois de um suspiro ele faz de novo.

 Tum. E para.



A ultima bruxa foi queimada na Suíça em 1731 e nem bruxa era, nunca existiram bruxas elas eram curandeiras que concorriam com o poder curativo da fé. É. Todos os dias deveriam ser profanos desde 1264. Mas não o santo do Santo.

Bruxas: mulheres que curavam, do sânscrito: Sábias. É no cristianismo que foram chamadas de bruxas. No período neolítico já existia rituais e práticas de bruxaria, rituais simbólicos.

 Todos os dias deveriam ser sagrados desde 1264. 

Profanos só a mente e coração. Só está a mente.
 Mente. Eternamente. Todas as mentiras sagradas foram profanas desde 1264.
.

Só o coração 
entende a mente.
 Eternamente.

 Todas as mentiras foram sagradas e profanas, duas modalidades de ser no mundo desde muito antes de 1264. Desde quando todos ainda nem sabiam, o que era um dia santo.

 Quando santos eram todos os dias.

"Um canto, no banco, um instante, eterno, todos os santos, observe, capim santo, no vento, no campo, tempo, santo pensamento. É teu talento que me comove. Tua dor que me dói. São todos os dias que vejo entrando e saindo sem que possa ao menos tocar tua mão. Toda a amargura deste silencio que miseravelmente vou digerindo, aqui no escuro desta cela. 

A luz privou-me do beneplacido de sua presença e me fez encolher neste canto, no chão. O banco virado, o vento despenteando o desalinho do tempo, a saudade. O corpo bento, o pensamento profano. Sem alarde a tarde escura se adentra em mim com um toque de amargura,me fere,na dor santa da rosa sem espinhos entre os muros emparedada.

o vento me toca em seu caminho torto,
o toque dos sinos ,o suspiro entre as sedas e a espuma das nuvens. Como um vento passageiro assim é a vida do homem, feito a pássaro em seu voo livre, nossos pensamentos profanos, senhor absoluto de dias santos, seguem. Ferimos e somos feridos.

 E é desde muito antes de 1264. Mas Domingo é sol. Santo. Pensamento dourado, incapaz, um fiapo. Um banco, de branco, é belo. Fecho os olhos e canto. Empresto minhas asas. Ao ar. Ao vento. Ao capim santo. Ao Santo. Ao seu encontro. Não te encontro. No canto, no banco, no tempo. Ano Domini 1264."

O padre morreu. 

Foi encontrado num canto de sua cela com cartas de amor em suas mãos, de um amor que nunca teve, saudades de um tempo que para ele nunca existiu.


Foi na mesma noite naquele domingo do ano de 1264

(Texto escrito por: Tina , sueli aduan, Emilia, cristinasiqueira & Cajadomatic)

2 comentários:

Nine disse...

Perfeito!

Ferimos, e somos feridos...

Doeu aqui...

Tina disse...

-Doeu também.
-Doeu em mim.
-Sempre dói?
-Só quando me convém.