sexta-feira, 30 de julho de 2010

Enquanto Corria a Barca

AdNão quero falar de sois,girassois,bois /Quero falar somente uma fala macia e ardente Ardendo dentro de você cada palavra dita, feita ou escrita por nós escrevinhadores. Poetas,contistas, letristas.

Sonhadores? Nem tanto, apenas imagino se poderia todo este rol fantástico de mentes brilhantes obter o segundo mágico em que surge a paixão e descrever a textura do batimento cardíaco, a temperatura exacta do coração, o transpirar das mãos. Imagino.

E muito alem deste enrolar e desenrolar de palavras seguir. Compreende-me, caro amigo? Mas há uma distância encantatória entre o sentir e o dizer, um abismo entre palavras e coisas.

Então, não quero falar de sois, girassois, bois.

Quero uma fala que nos tire desse finito mundo que infinita é a vida, que faz tudo girar, viver e morrer. E ficar quieta, apagada, permitindo que o sol ilumine uma face, uma metade.

Ouça-me, por favor, estou sob o sol com algo novo, curioso, divertido, mas sinto ainda falta de algo indefinido, inexplicável. E essa falta é o que me completa.Tenho falta de sonhos realistas, discursos mudos, antónimos inesperados, palíndromos malasombrados. Delirantes discursos de um mundo real:

A CARA RAJADA DA JARARACA
SAÍRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ
A TORRE DA DERROTA,
RIR, O BREVE VERBO RIR

E vejo a manhã e a noite como a continuação de meu umbigo. Pouso a mão sobre a capa de couro do livro. Está quente. Um raio de sol corta a poeira do ar. A noite é frio. Travesseiros ajudam a leitura.

Mas ainda falta alguma coisa. Somos feitos de algumas coisas que faltam. Dentre elas a percepção exacta do momento vivido do instante, do entorno, da magia da presença do outro , do ser e do estar, do aqui e do agora. Falta da boneca que ficou ali no canto com seus olhos estáticos, da bolinha de gude nas tardes de molecagem, do barrilete no céu azul, dos tombos da bicicleta, do primeiro copo, do primeiro corpo, da primeira dor, do primeiro amor...da fresta e da porta, do som e do silêncio.

Tudo nos falta o boi no pasto, o girassol ao vento a palavra e as coisas...sonhos realistas, textura do batimento cardíaco, transpirar das mãos, enrolar e desenrolar, algo novo, curioso ,o espanto.

É isso, somente sinta e só! Só? Sim, somente só.

Assim vou lhe falar e você vai ver que eu ia lhe chamar enquanto corria a barca,  somente só assim vou lhe chamar.
Falaram muito além de sois,girassois, bois:  sueli aduan, Tina, Cajadomatic, Emilia e Léo Metallica.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um pouco de mim (em fotos)

euRecebi um meme da Letícia, do Resmunguilios que me pedia para falar um pouco sobre mim através de fotos, bem, vou tentar.
Quem sou eu

O que me faz sorrir

O que me faz chorar

Minha cor é

A música é

A melhor lembrança (o melhor lugar)

Um filme

Um cheiro

O esporte

O hobby

O livro

Sonhos

 
 
                                                         Três lembranças da infância

Indico este meme a mais três pessoas:
-Paulo Tamburro, do HUMOR EM TEXTOS;
-Letícia R., do A questão é?!;
-Rosinara Borges, do Segredos.

Música: I'm Miami Beach, David Guetta
Filme: Shrek Para Sempre
Livro: Hamlet, Willian Shakespeare

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Agradecendo:

Com tantas atribulações acabei me esquecendo de agradecer à Giovanna Cobuccio, do Chicletts, por esse meu template novo super fofo! Obrigada, Gi!
Também um super obrigada para todos os que tem me parabenizado pelo resultado do vestibular. Vocês da UENP não vão se livrar de mim tão facilmente. Beijos, amo vocês!

domingo, 18 de julho de 2010

Esperança?

Com vestido de seda ela espera na varanda, olhando ao longe, mas nem sinal dele chegar. Ela, no fundo, sabia que essa não era a roupa mais adequada para fugir de casa, já que seu lindo vestido cor de pérola poderia se rasgar enquanto ela descia pelas plantas da sacada. Ou sujar-se-ia no caminho de terra até a cidade mais próxima. Mas ela não se importava. Era o vestido que sua mãe usara em sua festa de noivado, quando, grávida de seu pai, aceitou casar-se com ele, mesmo não estando apaixonada. 17 anos faziam que sua mãe morrera. 17 anos faziam que ela nascera. Um pai violento, uma madrasta perversa, um meio-irmão que, sabia ela, ficava a espiar enquanto se banhava. Era preciso fugir deste lugar.
Batidas na porta. Não poderia abrir, deveria estar dormindo, já passavam das duas da manhã. O barulho das batidas se tornava insistente agora, furioso talvez, e viera acompanhado de um voz:
-Abra essa porta agora, Hoop!
Era seu pai. Depressa correu em direcção a porta, não era bom contrariar. Mas antes não tivesse aberto. A cena vista a seguir fora a pior em toda a sua vida, mesmo já tendo visto coisas horrorosas. Liebe, seu secreto namorado, o qual Hoop já esperara por duas longas horas na varanda, ensanguentado, com a garganta cortada e um punhal cravado no peito. Era possível ver por todo seu corpo marcas de tortura, provando que fora uma morte deveras dolorosa. Não pode se conter. Sentindo uma fria lágrima descer-lhe pelos olhos.
-Você ia fugir, não é?
Silêncio.
-Ia ter a coragem de me desafiar, menina?
Foi quando uma bofetada atingiu-lhe a face. Não doera, embora doeria em circunstâncias normais. Aquelas, com toda a certeza não eram. A dor maior já havia a atingido, e só doeria mais dali para frente.
-Não, você não ia fugir, você não ia ter coragem. E sabe por quê? Porque você é fraca! Você não presta para nada! Nunca prestou e nunca vai prestar. Você é só um escarro daquela ordinária da tua mãe. O braço dele já ia se levantando para direccionar outro tapa contra Hoop quando ela fez o que nunca tivera coragem de fazer. Disparou uma cusparada em sua face. O homem, ainda meio atordoado não percebeu quando a garota se abaixou e arrancou o punhal que penetrara parcialmente no coração do amado e volveu contínuas punhaladas no pai, que nunca fora na realidade um pai.
Quando este, já morto jazia no chão. Hoop sem pensar, beijou o cadáver de Liebe. E se matou.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"A diferença...

...do amor e o ódio é que por ódio você mata... por amor você morre!"
Saída de Mestre
Não é que eu o odeie agora, ainda o amo, da mesma maneira ou atá mais. Eu estava na casa dele hoje, usando o computador. Sim, eu tenho um na minha casa, mas eu estava lá, com ele ligado e resolvi usar. Vi no histórico da Internet, despropositadamente, um site que fora visitado. Sempre achei pornografia nojenta, não que eu tenha nojo ao sexo, só acho que pornografia é prostituição. São pessoas que vendem a imagem do próprio corpo. Se vendem. Não falei com ele sobre o assunto. Não é que eu tenha achado desnecessário, na verdade é imensamente necessário na minha opinião. Acho que eu passaria por careta ou, no mínimo, chata. Assim o dia continuou normalmente. Mas isso ainda me atina. Será que não lhe sou suficiente?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

10 meses!

"-Depois que morrer acabou? - Eu disse, esperando, com um pouco de medo e receio de sua resposta. Ele, meio hesitante, pensando, eu acho, em como me dizer o que sentia.
-Se você morrer eu morro. Juro."

Se, no dia em que a gente ficou pela primeira vez, me perguntassem se eu achava que duraria o quanto está durando eu, sinceramente, diria que não. Agora, se me perguntarem o quanto mais eu acho que vai durar eu, com toda a certeza, direi:
-O quanto eu viver, e um pouco mais.
Parece um pouco de exagero, podem me dizer:
-Esse é só mais um namorado teu...
Mas eu sei que não é só mais um, e tenho mil motivos para pensar assim. Dez meses é bem mais que o triplo do tempo que eu já fiquei com alguém. E o que eu sinto por ele ultrapassa isso e muito mais. Feliz nosso aniversário, meu amor.

TE AMO, ALEX KELVEN BORGES DA SILVA!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ai, ai...

Lá venho eu outra vez reclamar, podem pensar que é só o que sei fazer, mas é que me é muito difícil ver que algo está errado e não falar. Como nesse caso, e em vários outros, eu não disse nada directamente para a pessoa, porque achei que não seria ético, ou algo do tipo, mas não é o que eu deveria fazer, anti ético é uma professora que aparece para dar aulas praticamente uma vez por mês. E, ainda que sua disciplina seja Educação Física, quando a aula é teórica, ficamos na sala de aula, olhando para as paredes. Quando é pratica ela deixa as bolas, de vôlei, handebol e futsal com a gente, senta na arquibancada e aí: pode esquecer, é como se não tivesse professor. Então, uma aula antes da prova, ela nos entrega uma folha mimiografrada (isto ainda existe?), com 13 perguntas já respondias, pede para que copiemos, e decoremos. E pronto. Isso é a prova! E ainda me perguntam como eu consegui ficar de recuperação.

sábado, 10 de julho de 2010

"O fraco poderá lutar...

...e vencer; perdoar, nunca."

                                Joseph Addison

Eu já havia lido e relido várias vezes quando realmente acreditei que era verdade. Só pude, então, esboçar um leve sorriso de gratidão. A frase no final só me fez sentir mais forte do que eu já me sentia, já que eu havia perdoado no justo momento em que descobri quem fora o autor. As palavras por ele proferidas não me abalaram nem um pouco, por outro lado, me deram forças para lutar. O que me fez mal em todo esse ocorrido não foi por culpa deles, os "supostos" culpados.
Veio de mim, dos risos maliciosos, debochados, dos rostos crapulosos. A raiva me subia à cabeça, mas era preciso conte-la, e foi o que fiz. Passou. Até que enfim.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

É, sim, antirrepublicano!

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais frequente em nossa sociedade o pequeno ato, praticado por muitos, de pedir um favor, corromper um guarda ou, mesmo, violar a lei e o bem comum para obter uma vantagem pessoal. Este tipo de acção, foi nomeada por Renato Janine Ribeiro como "corrupção cultural" pois expressa uma cultura forte em nosso país, que é a busca do privilégio pessoal.
A corrupção "cultural" é visível para qualquer um. Suas pegadas são evidentes. Mas há outra corrupção, essa, sim, organiza-se sob a forma de complô para pilhar os cofres públicos, e mal deixa rastros. Fazem parte de um sistema que visa desviar vultuosas somas de dinheiro público. Quem desvia nessas proporções não aparece, a não ser depois de investigações demoradas, que requerem talentos bem aprimorados.
Penso que devemos combater os dois tipos de corrupção. Enquanto cultura, ela nos desmoraliza como povo. Faz-nos perder o empenho em cultivar valores éticos. Porque a república é o regime por excelência da ética na política. Daí a importância dos exemplos, altamente pedagógicos, que muitos de nossos "eleitos" fazem questão de não dar.
Uma boa convivência social exige o fim da corrupção cultural, e isso só se consegue pela educação. Temos que fazer que as novas  gerações sintam pela corrupção a mesma ojeriza que uma formação ética nos faz sentir pelo crime em geral. Mas falar só deste tipo de corrupção acaba fazendo com que voltemos os olhos aos pequenos criminosos e poupemos os macro corruptos.

sábado, 3 de julho de 2010

1° Sorteio no Infinito Feminino - Livro "Pobre não tem Sorte" de Leila Rego

Gente, tá rolando lá no blog Infinito Feminino um super promoção, se você quiser concorrer ao livro "Pobre não tem Sorte" da Leila Rego, é só clicar aqui, ver se preenche os requisitos e então se inscrever! Simples assim...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sexistas ou Feministas?


Sexismo é um termo que se refere ao conjunto de acções e ideias que privilegiam entes de determinado género (ou, por extensão, que privilegiam determinada orientação sexual) em detrimento dos entes de outro género (ou orientação sexual). Embora seja constantemente usado como sinonimo de machismo é na verdade um hiperônimo deste, já que é possível identificar diversas posturas e ideias sexistas (muitas delas bastante disseminadas) que privilegiam o género feminino em detrimento do género masculino ou que privilegiem homossexuais em detrimento de heterossexuais.  Já a teoria feminista surgiu de três "ondas”. A primeira teria ocorrido no século XIX e início do século XX, a segunda nas décadas de 1960 e 1970, e a terceira teria ido da década de 1990 até a actualidade.
A primeira onda do feminismo aconteceu no Reino Unido e nos Estados Unidos, e tinha o foco originalmente na promoção da igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos. A segunda foi apenas uma continuação da primeira, cerca de meio século depois. Já a terceira foi uma espécie de resposta às supostas falhas da segunda onda, e também uma retaliação a iniciativas e movimentos criados por ela.
Abaixo, podemos observar um quadro com algumas ideias sexistas bastante populares no Brasil e quadros relacionados a tais ideias:
IDEIAS SEXISTAS
QUADROS RELACIONADOS







É dever natural do homem o sustento da família
·         Evasão escolar precoce de grande parte dos homens, sobretudo nas classes mais pobres, que se vêem pressionados a trabalhar para sustentar suas famílias enquanto suas irmãs ou esposas tem maior liberdade para escolherem entre trabalhar ou estudar. Consequente inversão no desequilíbrio educacional relativo a género, com as mulheres alçando níveis educacionais mais altos que os homens, em média.
·         Sobrecarga ocupacional masculina (25% dos homens brasileiros economicamente activos trabalham mais que 49 horas semanais contra apenas 12% das mulheres na mesma condição)


Mulheres devem ser responsáveis pela casa
·         Alto percentual de mulheres sem ocupação económica, embora já se concentrem neste género os mais altos índices de formação educacional e profissional
As mães são mais importantes na formação dos filhos que os pais
·         Baixíssimo índice de decisões judiciais favoráveis a que a guarda de filhos de casais separados seja dada aos pais, ou seja, compartilhada entre pai e mãe
Gays são promíscuos/não conseguem controlar seus impulsos sexuais
·         Maior dificuldade de homossexuais em adoptar crianças


Homens não choram/ homens devem ser fortes / homem que apanha de mulher é frouxo (e variações destes raciocínios)
·         Menor procura de indivíduos do sexo masculino por atenção médica em comparação às mulheres
·         Resistência de indivíduos do género masculino em prestar queixa contra suas parceiras quando estes vêm a ser vítimas de violência doméstica





Trair é da natureza masculina (mas não da feminina)
·         Atitudes masculinas violentas, muitas vezes originando crimes de agressão ou contra a vida, quando de suspeita ou constatação de infidelidade conjugal
·         Rejeição social percebida por mulheres que traem seus companheiros, ao contrário do que ocorre aos homens infiéis.
·         Contaminação de mulheres casadas por doenças sexualmente transmissíveis contraídas por seus maridos.


As mulheres são mais frágeis (ou inocentes)
·         Predisposição do judiciário a minimizar o papel de mulheres criminosas e a aplicar sobre elas penas mais brandas.
·         Exclusão "a priori" das mulheres de determinados campos profissionais.

De todo modo, qualquer tipo de preconceito, seja ele racista, machista, feminista ou sexista, não é, de forma alguma, saudável ou correta.