Esperança?

Com vestido de seda ela espera na varanda, olhando ao longe, mas nem sinal dele chegar. Ela, no fundo, sabia que essa não era a roupa mais adequada para fugir de casa, já que seu lindo vestido cor de pérola poderia se rasgar enquanto ela descia pelas plantas da sacada. Ou sujar-se-ia no caminho de terra até a cidade mais próxima. Mas ela não se importava. Era o vestido que sua mãe usara em sua festa de noivado, quando, grávida de seu pai, aceitou casar-se com ele, mesmo não estando apaixonada. 17 anos faziam que sua mãe morrera. 17 anos faziam que ela nascera. Um pai violento, uma madrasta perversa, um meio-irmão que, sabia ela, ficava a espiar enquanto se banhava. Era preciso fugir deste lugar.
Batidas na porta. Não poderia abrir, deveria estar dormindo, já passavam das duas da manhã. O barulho das batidas se tornava insistente agora, furioso talvez, e viera acompanhado de um voz:
-Abra essa porta agora, Hoop!
Era seu pai. Depressa correu em direcção a porta, não era bom contrariar. Mas antes não tivesse aberto. A cena vista a seguir fora a pior em toda a sua vida, mesmo já tendo visto coisas horrorosas. Liebe, seu secreto namorado, o qual Hoop já esperara por duas longas horas na varanda, ensanguentado, com a garganta cortada e um punhal cravado no peito. Era possível ver por todo seu corpo marcas de tortura, provando que fora uma morte deveras dolorosa. Não pode se conter. Sentindo uma fria lágrima descer-lhe pelos olhos.
-Você ia fugir, não é?
Silêncio.
-Ia ter a coragem de me desafiar, menina?
Foi quando uma bofetada atingiu-lhe a face. Não doera, embora doeria em circunstâncias normais. Aquelas, com toda a certeza não eram. A dor maior já havia a atingido, e só doeria mais dali para frente.
-Não, você não ia fugir, você não ia ter coragem. E sabe por quê? Porque você é fraca! Você não presta para nada! Nunca prestou e nunca vai prestar. Você é só um escarro daquela ordinária da tua mãe. O braço dele já ia se levantando para direccionar outro tapa contra Hoop quando ela fez o que nunca tivera coragem de fazer. Disparou uma cusparada em sua face. O homem, ainda meio atordoado não percebeu quando a garota se abaixou e arrancou o punhal que penetrara parcialmente no coração do amado e volveu contínuas punhaladas no pai, que nunca fora na realidade um pai.
Quando este, já morto jazia no chão. Hoop sem pensar, beijou o cadáver de Liebe. E se matou.

Comentários

Naty Figueirêdo disse…
Oi flor..
Obrigada pela visitinha!! Amei!!
Adorei seu cantinho, estou seguindo!

Bjssssss... Lindas palavras!
Tina disse…
Ah! Obrigaada... Volte sempree! soajsoaosha'

beeijo
Beatriiz disse…
Ai que triste =/
:(:(:(:(:(:(:(:(:(:
AGENTE FOOSE disse…
Olá!
Que legal o post!!! Não conhecia seu blog, gostei da dinâmica e do texto que é de agradável leitura! Fatalmente estarei sempre aqui!!! Também aproveito para convidar você a conhecer meu blog:
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Tina disse…
Pode deixar que eu vou ver sim!! :D

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