domingo, 18 de julho de 2010

Esperança?

Com vestido de seda ela espera na varanda, olhando ao longe, mas nem sinal dele chegar. Ela, no fundo, sabia que essa não era a roupa mais adequada para fugir de casa, já que seu lindo vestido cor de pérola poderia se rasgar enquanto ela descia pelas plantas da sacada. Ou sujar-se-ia no caminho de terra até a cidade mais próxima. Mas ela não se importava. Era o vestido que sua mãe usara em sua festa de noivado, quando, grávida de seu pai, aceitou casar-se com ele, mesmo não estando apaixonada. 17 anos faziam que sua mãe morrera. 17 anos faziam que ela nascera. Um pai violento, uma madrasta perversa, um meio-irmão que, sabia ela, ficava a espiar enquanto se banhava. Era preciso fugir deste lugar.
Batidas na porta. Não poderia abrir, deveria estar dormindo, já passavam das duas da manhã. O barulho das batidas se tornava insistente agora, furioso talvez, e viera acompanhado de um voz:
-Abra essa porta agora, Hoop!
Era seu pai. Depressa correu em direcção a porta, não era bom contrariar. Mas antes não tivesse aberto. A cena vista a seguir fora a pior em toda a sua vida, mesmo já tendo visto coisas horrorosas. Liebe, seu secreto namorado, o qual Hoop já esperara por duas longas horas na varanda, ensanguentado, com a garganta cortada e um punhal cravado no peito. Era possível ver por todo seu corpo marcas de tortura, provando que fora uma morte deveras dolorosa. Não pode se conter. Sentindo uma fria lágrima descer-lhe pelos olhos.
-Você ia fugir, não é?
Silêncio.
-Ia ter a coragem de me desafiar, menina?
Foi quando uma bofetada atingiu-lhe a face. Não doera, embora doeria em circunstâncias normais. Aquelas, com toda a certeza não eram. A dor maior já havia a atingido, e só doeria mais dali para frente.
-Não, você não ia fugir, você não ia ter coragem. E sabe por quê? Porque você é fraca! Você não presta para nada! Nunca prestou e nunca vai prestar. Você é só um escarro daquela ordinária da tua mãe. O braço dele já ia se levantando para direccionar outro tapa contra Hoop quando ela fez o que nunca tivera coragem de fazer. Disparou uma cusparada em sua face. O homem, ainda meio atordoado não percebeu quando a garota se abaixou e arrancou o punhal que penetrara parcialmente no coração do amado e volveu contínuas punhaladas no pai, que nunca fora na realidade um pai.
Quando este, já morto jazia no chão. Hoop sem pensar, beijou o cadáver de Liebe. E se matou.

6 comentários:

Naty Figueirêdo disse...

Oi flor..
Obrigada pela visitinha!! Amei!!
Adorei seu cantinho, estou seguindo!

Bjssssss... Lindas palavras!

Tina disse...

Ah! Obrigaada... Volte sempree! soajsoaosha'

beeijo

Beatriiz disse...

Ai que triste =/
:(:(:(:(:(:(:(:(:(:

Tina disse...

é.. ;x

AGENTE FOOSE disse...

Olá!
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Tina disse...

Pode deixar que eu vou ver sim!! :D