terça-feira, 21 de setembro de 2010

Flutuamos.

Onko é um bom rapaz. Um pouco alto para a sua idade. Ele senta-se e olha para o alto. Suspira aliviado porque já não há mais tempo. Sente um pouco de sono. Boceja. Pensa em tudo aquilo que teria de dizer. Sentia que ela não viria, mas mesmo assim ainda esperava. Estava ansioso, porém com receio.
Esperou por toda a tarde e quando ela chegou sentiu que não tinha mais sono. Esperava pela noite que lhe traria os sonhos. Mas ela também passou e chegou o amanhecer. Onko ainda estava la. Pelo que se sabe, Onko teria trocado sua ansiedade por um sorvete ou por um conto. Teria trocado seus minutos receosos por muito tempo dormindo. Olhou para o pulso e lembrou que não tinha mais relógio. Havia trocado por liberdade. Só não lembrava aonde a havia guardado.
E depois de uma brisa passar por seus cabelos, olhou para baixo, ali sobre o chão onde sua sombra deveria estar projectada não havia nada, sua sombra prova de sua matéria se apossou de sua liberdade e correu pelo mundo. Nem sempre a troca funciona do jeito que se espera, era o que dizia o mestre dos trilhos. mais ali estava Onko, que cochilou ao sol pensando em tudo aquilo que teria de dizer. Sem sombra e sem reflexo seu pensamento estendia-se alem do mundo, viajava veloz por planetas e tempos já há muito esquecidos pelo universo.
O sol quente ardia em sua fronte e o fez acordar. Não estava mais sentado. Agora deitado na grama olhava as nuvens passarem. Nenhuma ideia lhe ocorria. Ao fechar novamente os olhos viu centenas de pontinhos pretos dançando dentro de suas pálpebras. E que felicidade aquela sensação de estar perdido ! nem as nuvens e todo aquele céu iriam lhe indicar o caminho, melhor assim, feliz assim.
Em algum lugar encontrava-se flutuando mas isso não lhe importava pois o flutuar absorvia toda sua atenção. Não pensava onde estava nem como nem quando mas sentia fluir por sua alma aquele estado de espírito ascendente. Foi subindo, subindo e sentiu as copas das árvores abaixo sussurrando algo através do farfalhar de suas folhas secas. Diziam um intermitente murmúrio que não podia compreender mas podia entender. Era parte dele. Era como passar do etéreo e entrar em um aroma indefinido, só, sozinho, sem espera, sem palavras, nem ar, nem água, nada. Era o nada absoluto em que Onko sentia-se cheio do todo perfeito, era o momento pássaro ,visão fontana determinando seu movimento ao encontro de tudo aquilo que teria de dizer.
Vagando pelo etéreo, plano onde a energia flui pura e onde pode-se sentir a essência do que se realmente é. Mais a jornada estava em seu tempo de conclusão, como um rio que arrasta um tronco, sua consciência foi tragada lentamente e depois de não se sabe quanto tempo, pois pode ter sido muito, ou muito pouco, estava de volta a si mesmo, estava junto à matéria física que confinava e protegia sua alma, abriu os olhos e olhou para o céu, ali acima dos ventos e junto às estrelas estava ela a lua, lua esta que bloqueada uma vez pelas nuvens não estava preparada para ouvir, embora presente no dia que pode ter sido o anterior ou outro qualquer, agora estava ali e chegara à hora de dizer aquilo que era preciso. Levantou-se e percebeu que sua sombra estava de volta e lhe entregará a liberdade em mãos, como matéria menos livre de todo seu ser, pediu as devidas desculpas, mas ela não pode resistir ao apelo do mundo, e agora com seu reflexo de comprovação que existia, sua sombra, o reflexo da luz da criação, a lua, estava na hora de proclamar o destino, um caminho de luz amanteigada surgiu e a lua o iluminou desta vez sem nuvens para atrapalhar seu vagar.

Onko sabia quando chega a hora de dizer verdadeiramente a língua trava, falar coisas era fácil, mais nesta situação que tinha de expressar algo mais difícil do que o normal as forças lhe faltaram e por um momento não abriu a boca. Mais depois respirou e disse:

- Muito boa noite senhora dos céus nocturnos, Irmã lua como esta? Disse respeitosamente, mais não houve resposta. A lua era uma óptima ouvinte mais só falava quando era extremamente necessário, pois não gostava de sua voz, diferente do vento que uiva e do mar que estronda a lua se cala.

- Bom, continuou Onko, vou começar pelos tópicos, então tenho que falar sobre as marés, sobre os sonhos, sobre os cabelos, sobre o campo magnético, sobre Marte, sobre os astronautas e deixe-me ver, sobre queijo e sobre lobos e acho que tem algo mais que não consigo me lembrar agora, mais em todo caso deixe-me começar. A lua em respeito silencioso apenas esperou e Onko então cumprindo sua promessa continuou: 
- O controle subtil das marés neste ano não esta agradando os senhores peixes que por decisão de seu alto conselho dos mares presidido pela grande lula expressa o seguinte pedido:
- Queremos que se afaste um pouco da órbita, pois a maré cheia constante esta prejudicando os corais e os manguezais costeiros e as colheitas de plâncton este ano não estão boas para nenhum dos agricultores dos oceanos Indico e Atlântico, causando fome aos mais diversos tipos de cardumes e aos que deles dependem. Onko então percebeu que manifestava seu pensamento adormecido e que belas palavras foram ditas sobre as marés, sobre os sonhos, sobre os cabelos, sobre o campo, mas tudo em vão.
Fecha os olhos e pensa em tudo aquilo que queria dizer. Mas nada diz, sabe que não poderia mudar o estado das coisas e então, apenas flutua para longe enquanto vê a lua, distanciando-se no zénite.
Escrito por:  Tina   Cajadomatic   Youkai   Emilia   sueli aduan

sábado, 18 de setembro de 2010

O que fazer?

 Essa semana alguém disse: "O mundo me exclui e me ignora porque eu sou um dependente químico". Foi quando eu comecei a prestar mais atenção nele, digo, em quem disse esta frase. Pois não foi só isto que me intrigou mas, sim, o comportamento, palavreado e etcéteras dele. Foi quando eu vi um lado diferente de tudo isso, o outro lado. E percebi que sabia porque ele, assim como tantas pessoas odiava o mundo, tudo, se drogava sem pensar em si mesmo ou em quem está a sua volta, rouba, mata, enfim... Não estou dando razão, ou dizendo que o motivo seja justo, mas o ser humano não é, por natureza, forte. E não são todos que  suportam essa pressão que o mundo exerce sobre nós. Mas o importante é não tentar caminhar sozinho, eu mesmo já pensei em me matar, não só uma, mas várias vezes, e sei que não sou a única no mundo que passou por isso. Não foi minha força que me impediu mas, sim, a fraqueza, a covardia. Hoje me agradeço por ser tão covarde e gostaria que muitos fossem tão covardes quanto eu, para não ter coragem de tentar acabar com suas vidas, seja como eu, seja se drogando, seja matando e outras...Nada disso vai fazer com que melhore, existem outros caminhos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Gestações Indesejadas

A gravidez na adolescência não ocorre só em nossos dias. Nossas avós casavam-se nessa faixa etária e, evidentemente, engravidavam, porém naquela época isso não era um problema, pois essas gestações eram desejadas.
Com o passar do tempo, os costumes foram mudando.Hoje em dia já é bem mais raro ver um casal adolescente se casar, porém o desejo sexual ainda aparece nesse período, o que torna cada dia mais comum ter uma relação "pré-matrimonial".
Uma vez instalada a gestação indesejada, a adolescente só tem quatro soluções possíveis, nenhuma delas satisfatória em todos os sentidos: abortamento, casamento - muitas vezes de conveniência -, ser mãe solteira adolescente ou adopção.
O abortamento provocado nem sequer poderia  ser considerado uma opção. Casamentos por conveniência frequentemente acabam em separação e, quando não, levam a um convívio infeliz. Num meio preconceituso como é o nosso, ser mãe solteira adolescente é uma condição extremamente penosa. Por fim, a adopção pode fazer com que a criança cresça em um abrigo.
A solução, logicamente, não está em reprimir a sexualidade dos adolescentes, mas sim em prepará-los para o seu exercício, instalando programas coerentes e duradouros de educação sexual.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fundamental

Hoje, "pode-se dizer que o Ensino Médio é o fundamental". Pode parecer uma frase forte ou exagerada, mas para muitas pessoas é o que acontece de verdade. E, o que tudo indica, é que esse é só o começo.
No Brasil, há cerca de cinquenta anos atrás, os pais não costumavam ter os filhos estudando além dos primeiros anos do Ensino Fundamental, antigo primário, pois viviam em uma época, e sociedade, onde a educação era vista como um luxo, onde só os mais ricos podiam estudar, já que a maioria, na adolescência trabalhava o dia todo.
Com o tempo, e a crescente industrialização e urbanização, o mercado de trabalho foi ficando mais exigente, e já era necessário ir mais além, completar o Ensino Fundamental, por exemplo, se aprimorar ou especializar em sua área de trabalho.
Na actualidade, o Ensino Fundamental já não basta, é possível ver, por exemplo, até mesmo nos empregos mais simples, onde apenas o físico do "funcionário" é utilizado, como um gari,  é exigido o Ensino Médio.
Se as exigências dos empregadores continuarem a aumentar nessa proporção, é possível que daqui há aproximadamente quinze anos o Ensino Médio seja considerado pouco. E a universidade, considerada um luxo pouco mais de meio século atrás se torne indispensável.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

1 ano de vida

Um ano de vida.
Começada e reconstruída.
Feita com atenção, carinho e amizade, feita de amor de verdade.

Te amo para sempre... E separei este post para você lembrar dos velhos tempos.

domingo, 12 de setembro de 2010

Devaneios

Na penúltima aula do cursinho, meu professor nos passou este vídeo, e pediu para que escrevêssemos uma dissertação baseada nele:
vídeo aqui
Nos foram dados 40 minutos para pensar, escrever e passar a limpo tal redacção. Por mais de meia hora eu pensei, fui tomar água, vi que todos escreviam e desisti. Sei que não é bem do meu feitio desistir assim, mas eu não fazia ideia do que dizer. Foi quando o professor disse:
-Todos os alunos devem me entregar, nem que seja uma folha em branco.
Como assim? Entregar uma folha é branco é o mesmo que dizer: "Passei os últimos 40 minutos sem pensar em NADA!" Eu não podia fazer isso, então comecei a rabiscar algo no papel:
Olhando o papel em branco eu vejo o tudo, eu vejo o nada. Vejo um texto que não quero escrever, um tema que não entendi, algo que preciso aprender. Por que é mais fácil escrever o que vem de dentro de você, mesmo quando se é um observador?
O ar viciado da sala fechada me dá dor de cabeça, é incrível como alguém consegue pensar com isso. Agora já tenho certeza de que desisti de fazer a redacção, talvez eu entregue este papel... Seria muita cara-de-pau! Mas é melhor do que nada, significa que eu estava pensando e não só olhando para o tempo durante os quarenta minutos.
Tema abstracto! Achava que seria bom para mim escrever sobre algo assim, já que costumo escrever textos abstractos, talvez sejam só palavras rabiscadas num pedaço de papel, ou poemas de quinta categoria, mas eu não me importo.
Conflito de gerações pode parecer um tema fácil. Eu tentei e não saiu nada. Falar sobre o quê? Velhinhos mal-tratados? Filhos incompreesivos? Tudo parece tão sentimentalista quanto este próprio texto, se é que meu professor achará que é um texto. Provavelmente vai pensar que é idiotice, ou até mesmo perda de tempo mas, como eu já disse, não me importo.
Quinta feira, quando ele ia nos devolver o texto corrigido, achei que ele todo estaria rabiscado e corrigido, mas só vi duas anotações: A PORTA ESTAVA ABERTA e POR QUE VOCÊ NÃO SE IMPORTA?
Não sei se eu tenho resposta para esta indagação, mas acredito que o que eu disse não seja mais verdade, já que eu gostei da expressão dele ao devolver-me o texto, gostei da sua opinião, então sim, eu me importo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eu sei...

... que quanto mais eu tento concertar as coisas, mais eu estrago. Só que às vezes eu sinto a necessidade de fazer, ou dizer algo acreditando que vai ajudar. Principalmente quando fui eu quem estragou.
Criei o péssimo costume de usar este blog para desabafar. O que acontece é que meus sentimentos se metamorfoseiam facilmente, digo, coisas pequenas como: raiva, desejo, tristeza...
E com isso confundo a todos, talvez até a mim. Mas, no fundo, o que importa de verdade não é abalado por nada disso. É o que eu queria que você soubesse.