segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Olhos atentos. Todos falam. Eu não. "E se a gente só se apresentar à tarde?". Sugeriram. "Seria uma boa". Talvez. Quem vou chamar? Mãe, pai, Alex. Mãe e Alex trabalham, pai vai ao médico. Quem vai? Ninguém. Amigos? Quem? Meu primeiro motivo, meu primeiro choro. Olhares. "O que tem?". Nada. Nada importante para vocês. Meus poucos únicos amigos ou estão na peça ou não podem ir. Por motivos diversos. Medo. E se eu fracassar? Se for como em meu sonho, onde tudo derrete? Segundo motivo, segundo choro. Nunca me foi tão claro o quanto é difícil prosseguir sem máscaras. Não esconder o rosto enquanto se chora. Não fingir que não é nada quando sente uma pontada no peito e a garganta prender o ar. Os pensamentos correm. As lágrimas também. Olhares tristonhos se direccionam a mim. Eles sentem também.

sábado, 27 de novembro de 2010

Ela já foi maravilhosa

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil

Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n'alma da gente
És o altar dos nossos corações
Que cantam alegremente

Jardim florido de amor e saudade
Terra que a todos seduz
Que Deus te cubra de felicidade
Ninho de sonho e de luz

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

My boy

Eu tenho a luz do sol num dia nublado
Quando está frio lá fora
O que pode me fazer sentir deste jeito?
Eu não preciso de nenhum dinheiro, fortuna ou fama
Eu tenho todas as riquezas
Que um homem possa exigir
É tudo de que consigo falar:
Meu amor, meu garoto, meu homem, meu bebê, meu anjo...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sonora Brasil: Conjunto Gyn Câmera

 
Ontem à noite fui ao segundo concerto de música erudita da minha vida! É... Chega a ser triste pensar o quanto é pequeno o acesso a esse tipo de música no Brasil. A apresentação que fui faz parte de um programa chamado Sonora Brasil que leva shows como este, gratuitamente, para todo o Brasil, apresentando composições do Amazonense Claudio Santoro e do fluminense Guerra-Peixe. Vale mesmo a pena conferir. Abaixo há uma lista de onde o conjunto se apresentará no restante do mês. Se for na cidade de vocês, aproveitem!

Paraná / Maringá
Local: Auditório do Sesc - Rua Lauro Eduardo Werneck, 531 Informações: (44) 3262-3232 19:30h

Paraná / Umuarama
Local: Teatro da Fundação Cultural Schubert - Avenida Rio Branco, 3633 Informações: (44) 3623-3536 19:30h

Paraná / Cascavel
Local: Auditório do Senac - Rua Recife, 2283 Informações: (045) 3225-3828 19:30h

Paraná / Foz do Iguaçu
Local: Auditório do Sesc - Av. Tancredo Neves, 222 Informações: (45) 3576-1300 19:30h

Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Local:Teatro SESC Centro- Av. Alberto Bins, 665 Informações: (51) 32842070 15h

Rio Grande do Sul / São Leopoldo
Local:Faculdades EST- Rua Amadeo Rossi, 467 Informações: (51) 35922129 19h

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Desafio dos sete

Recebi esse desafio de •Ø£hö§ ðë Gµë¡xå •

É assim: Você responde 7 perguntas que cada uma precisa de sete respostas.

Vamos lá!

7 coisas que pretendo fazer antes de morrer:
1- Olhar no espelho e dizer: SIM, EU SOU FELIZ!
2- Viajar muito
3- Me reapaixonar todos os dias pela mesma pessoa
4- Fazer uma loucura por amor
5- Me casar
6- Ter filhos
7- Ficar velhinha e ir morar na praia

7 coisas que mais digo:
1- Putz
2- Obrigada
3- Jesus!
4- E agora?
5- Dá licença
6- Ai!
7- Xiii

7 coisas que faço bem:
1- Ouvir
2- Entender as pessoas
3- Chorar
4- Ler
5- Comer
6- Rezar
7- Rir

7 defeitos meus:
1-  Chorona
2- Mimada
3- Teimosa
4- Dormir muito
5- Sincera DEMAIS
6- Excessivamente organizada
7- Estressada


7 coisas que amo:
1- Deus
2- Alex
3- Família
4- Teatro
5- Minha Privacidade
6- Música
7- Cinema

7 qualidades:
1- Organização
2- Amiga
3- Honesta
4- Bem humorada
5- Fiel
6- Simples
7- Sensível


7 pessoas para fazerem o jogo dos sete:

1- Bah
2- Karina_sba
3-  imaginariopoetico
4- vida-de-garota-brasil
5- Foose
6- Codinome Beija-Flor
7-  Thaís André

domingo, 14 de novembro de 2010

Sonhos

Deitada quase a dormir. Agindo como nós eles estão. Ainda somos assim? Gostaria que fossemos. Ainda somos. Súbito os ciúmes tomam-me. Ela não é minha. Mas não quero que seja de mais ninguém. Não sentia isso quando não era com ele. É como se eu soubesse que a magoará. Não é da minha conta. Não é minha vida amorosa. Não posso me intrometer. Acordo assustada. Sonho. Verdade. O que sinto não muda e sou mal compreendida. Meu bebe cresceu.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Que país é esse?

Como sabemos, meu final de semana foi praticamente desperdiçado. É! Eu fui fazer o ENEM, pior que isso: eu quase não fiz ENEM. Foi assim: era necessário levar o cartão de inscrição e um documento com foto, até aí ok. Só que a super inteligente aqui esqueceu o documento, e só percebeu na porta do colégio, às 12:30h (o portão fechava às 12:55h) e eu não moro na mesma cidade que fiz a prova. Resolvi fazer um último teste: subi até minha sala, na maior cara de pau apresentei o comprovante e meu CPF.
-Você trouxe um documento com foto?
-Não.
-Então não vai poder entrar.
Ainda bem que não fui de ónibus, meu pai me levou de carro. E lá foi ele, voltar para casa buscar meu documento. E eu fiquei, plantada em frente àquele colégio, durante a meia hora mais longa da minha vida! E cheguei a tempo. Peguei a prova azul, que não tinha erro nenhum, o mesmo no segundo dia. E agora? Vou ter que fazer outra? E se eu fui bem nessa? E se for mal na outra? Por culpa de quem? Da gráfica? De novo?  Da pouca quantidade de funcionários que revisaram a prova? Em um país com um número tão elevado de cargos de confiança não é possível que ninguém podia revisado! Sei que talvez não existam culpados, ou que grande parte das notícias relacionadas ao assunto possam ser especulação. Mas me revolto e pergunto: QUE PAÍS É ESSE?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENUB - Parte IV


QUADRO II
Entra todos, menos Tião.
ROMANA – Senta meu velho, senta! Já andou demais!
BRÁULIO – É melhor descansar!
OTÁVIO – Deixa disso, também não me mataram! Que cara de espanto é essa, D. Maria? Fui preso, só isso!
MARIA – Mas está tudo bem?
OTÁVIO – Estamos aí, na activa!
BRÁULIO – Também, D. Romana fez revolução na polícia!
OTÁVIO – ETA, velha barulhenta! Quase que fica também.
ROMANA – E não é para gritar? Prender o homem da gente, assim à toa?
TIÃO (aparecendo na porta) – Com licença!
Todos esfriam. Mudos. Estáticos.
ROMANA – Vai ficar que nem estaca na porta entra!
TIÃO (a Otávio) – Eu queria conversar com o senhor!
OTÁVIO – Comigo?
TIÃO (firme) – É.
OTÁVIO – Minha gente, vocês querem dar um pulo lá fora, esse rapaz quer conversar comigo.
ROMANA – Eu preciso mesmo recolher a roupa!
JOÃO – Já vou indo, então. Até logo, seu Otávio, e parabéns!
OTÁVIO – Obrigado! (Saem. Tião e Otávio ficam a sós.) Bem, pode falar.
TIÃO – Pai...
OTÁVIO – Me desculpe, mas seu pai ainda não chegou. Ele deixou um recado comigo, mandou dizer para você que ficou muito admirado, que se enganou. E pediu para você tomar outro rumo, porque essa não é casa de fura-greve!
TIÃO – Eu vim-me despedir e dizer só uma coisa: não foi por covardia!
OTÁVIO – Seu pai me falou sobre isso. Ele também procura acreditar que não foi por covardia. Ele acha que você até que teve peito. Furou a greve e disse para todo mundo, não fez segredo. O teu pai acha que você é ainda mais filho da mãe! Que você é um traidor dos seus companheiros e da sua classe, mas um traidor que pensa que está certo! Não um traidor por covardia, um traidor por convicção!
TIÃO – Eu queria que o senhor desse um recado a meu pai...
OTÁVIO – Vá dizendo.
TIÃO – Que o filho dele não é um “filho da mãe”. Que o filho dele gosta de sua gente, mas que o filho dele tinha um problema e quis resolver de maneira segura. Que o filho é um homem que quer bem!
OTÁVIO – Teu pai vai ficar irritado com esse recado, mas eu digo. Teu pai tem outro recado para você. Teu pai acha que a culpa de pensar desse jeito não é só tua. Teu pai acha que tem culpa...
TIÃO – Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma.
OTÁVIO (num rompante) – E deixa-o acreditar nisso, se não, ele vai sofrer muito mais. Vai achar que o filho dele caiu na merda sozinho. Vai achar que o filho dele é safado de nascença. (Acalma-se repentinamente.) Seu pai manda mais um recado. Diz que você não precisa aparecer mais. E deseja boa sorte para você.
TIÃO – Diga a ele que vai ser assim. Até um dia.
OTÁVIO – Até um dia! (Sai. Entra Romana.)
ROMANA (entrando) – Mandou ele embora mesmo, não é?
OTÁVIO – Enxergando melhor a vida, ele volta. (Retorna ao quarto)
ROMANA – Coitado do meu filho! Expulso de casa pelo próprio pai. E, ainda por cima, Maria preferiu ficar com os pais a ir morar com um “traidor”. (pausa) O fim só acontece uma vez, o que vem antes disso é apenas progresso. Será este o fim? (Sai triste.)
FIM

sábado, 6 de novembro de 2010

ENUB - Parte III


ATO II
QUADRO I
(Entra Romana, fica ajeitando a casa. Entra Tião)


ROMANA – Acordou cedo, hein?
TIÃO – É!
ROMANA – O café já está pronto.
TIÃO – A senhora também acordou mais cedo...
ROMANA – Serviço, filho, muito serviço! Você não dormiu quase nada...
TIÃO – É...
ROMANA (aproximando-se de Tião) – Está enfezado por quê?
TIÃO – Eu?   
ROMANA – Deixa disso, fui eu que te fiz e te conheço bem. Essa testa franzida não me engana. O que é que há?
TIÃO – Nada, ué?
ROMANA (com intenção) – Vais fazer piquete?
TIÃO – O quê?
ROMANA – Piquete de greve. Vai fazer?
TIÃO – Não sei. Acho que já tem gente o bastante.
ROMANA – Não vai se meter em bolo, hein?!
TIÃO – Que bolo que pode dar?
ROMANA – Greve sempre dá bolo?
TIÃO – Nem sempre.
ROMANA – Polícia chegou, Sai de perto! Não vai se meter à valente!
TIÃO – Não precisa se preocupar.
ROMANA – Vê lá, hein?
TIÃO – Eu sei o que faço. Não se incomode! (Tião vai saindo)
ROMANA – Não vai esperar teu pai para sair?
TIÃO – Não!
ROMANA – Por quê?
TIÃO – Para quê?
ROMANA – Você sempre espera!...
TIÃO - Hoje está muito cedo. Não vou esperar...
ROMANA – Está bem.
TIÃO – Se Maria vier, diz para ela não se preocupar. Ela também está com besteira na cabeça.
ROMANA – Eu digo. Então, vai com Deus!
TIÃO – Eu volto logo! (Sai.)
OTÁVIO (entra afivelando o cinto) – Puxa, dormi demais!
ROMANA – Está cedo ainda!
OTÁVIO – Cedo, nada! Eu já deveria estar na fábrica, preciso organizar o meu piquete... Está pronto o café?
ROMANA – Está quentinho!
OTÁVIO – Cadê Tião?
ROMANA – Já foi!
OTÁVIO – Já saiu? Ora essa...
ROMANA – Estava com uma daquelas caras!...
OTÁVIO – E por que não me esperou?
ROMANA – Sei lá, foi embora!...
OTÁVIO – O Tião é capaz de fazer besteira!...
ROMANA – Que besteira?
OTÁVIO – Sei não! Desde quando a gente começou a falar em greve, ele anda meio esquisito... Mas não há de ser nada. (se despede. Sai.)
Maria entra.
ROMANA – Ué, você por aqui há essa hora?
MARIA – Queria falar com a senhora.
ROMANA – Falou com o Tião?
MARIA – Falei. Ele está preocupado com o casamento da gente. Tem medo de que a greve não dê certa, de perder o emprego e não poder mais casar.
ROMANA – E então?
MARIA – Ele disse que sabe o que faz!... Eu me aquietei um pouco!
ROMANA – Seja o que Deus quiser!
MARIA – Sabe D. Romana, eu gosto muito do Tião!
ROMANA (um tanto espantada com o inesperado da frase) – Bom para ele.
MARIA – Eu gosto muito da senhora também!
ROMANA – Uai! Obrigada, eu gosto de você também!
MARIA – Eu acho que a senhora é o tipo da mãe que sabe entender os filhos!
ROMANA – Pode ser...
MARIA – A gente tem confiança na senhora!
ROMANA – Tanto elogio dá para desconfiar!
MARIA – Não é elogio, não. A gente não pode esconder nada da senhora, a gente precisa contar tudo o pedir conselho...
ROMANA – Então, quer me contar alguma coisa. Vamos lá!
MARIA – A senhora sabe que eu gosto muito do Tião...
ROMANA – Você já disse isso. Eu acredito.
MARIA – Eu acho que ele também gosta de mim!
ROMANA – Eu também acho.
MARIA (sem saber como continuar) – Pois é, e quando a gente gosta, a gente gosta muito e... E... E não pensa muito...
ROMANA (com toda calma. Calmíssima) – Você está grávida, né, minha filha?
MARIA (no mesmo tom) – Estou sim senhora.
ROMANA – Eu estava meio desconfiada mesmo!...
MARIA – Só não quero que a senhora fique aborrecida! Nós vamos casar. Eu não conto para ninguém. Mamãe vai ficar chateada se souber...
ROMANA – Pode deixar. Eu não digo nada, não.
MARIA – E o que a senhora acha que eu devo fazer?
ROMANA – Parir, minha filha! O que é que você quer fazer?
MARIA (sem jeito) – Eu sei... Eu digo, devo esperar aquietar até casar? Vou precisar casar no mês que vem!
ROMANA – Por isso é que Tião está tão preocupado com o negócio do emprego, não é?
MARIA – Acho que sim... É sim.
ROMANA – Bobagem dele. A gente sempre se vira na hora “h”!
TIÃO (entrando) – Você aí dengosa?
ROMANA – Já de volta?
MARIA – Como é que foi?
TIÃO – Tudo bem.
MARIA – Deu certa a greve?
TIÃO – Como é que a gente vai saber?
ROMANA – Mas a turma topou a greve?
TIÃO – Topou. Dezoito operários furaram a greve... Só.
MARIA (abraçando-o) – Eu não dizia? Para quê ter medo?
ROMANA – Deu algum bolo?
TIÃO – Tinha muitos policiais na porta, mas acho que não deu nada.
ROMANA – Teu pai?
TIÃO
MARIA – Quer dizer que o trabalho parou mesmo?
TIÃO – Parou!
MARIA – E os que furaram a greve?
TIÃO – Um levou umas tapas. Só isso.
ROMANA – Olha me desculpe, mas eu estava com a impressão que você ia furar, sabe?
TIÃO (sem jeito) – É...
MARIA – Quer dizer que está tudo em ordem?
TIÃO – Tá!
ROMANA – Você deveria ter vindo com teu pai. Ele é capaz de fazer besteira.
TIÃO – Ele estava meio ocupado ainda...
ROMANA – Ainda bem que naõ deu bolo.
MARIA – Viu como foi fácil?
TIÃO – Não foi tão fácil. Eu tinha meio razão quando dizia que a turma não ia topar. No princípio, uma porção de gente queria entrar na fábrica. Os piquetes é que trabalharam direito e convenceram todo mundo... O pai não descansou. Acho que o patrão naõ deve gostar muito dele, não!
ROMANA - Bom. Agora nós vamos ter uma conversinha!
TIÃO (pondo-se em guarda) – Nós?
ROMANA – Sim senhor, seu cínico! Então o senhor é pai, não é?
TIÃO (a Maria) – Ah, você veio contar?
MARIA – Vim.
ROMANA (a Tião) – Você merecia umas bordoadas, seu apressado. E ainda fica quieto, com a cara mais cínica do mundo!
TIÃO (com meio sorriso) – É mãe, a senhora vai ser avó! (abraçam-se)
BRÁULIO (entra arfando como antes) – D. Romana...  Uff... Êta, subidinha!... (estanca ao ver Tião.) Ah! Você já está aqui!
ROMANA – Nem esperou pelo pai!
BRÁULIO – E nem pode esperar. Preferiu se esconder logo junto da mamãe e da noivinha!
TIÃO – Não se mete nisso Bráulio!
BRÁULIO – Não se mete não se mete! Assim é fácil! Desculpe-me D. Romana, mas não sei por que teu filho veste calças!
ROMANA (confusa e irritada) – Espera aí, seu Bráulio! O que é que houve?
TIÃO – Nada, mãe! Só que eu fui um dos dezoito que furaram a greve. Só isso!
BRÁULIO – De você eu não esperava isso, Tião!
TIÃO – Bráulio! Você nem sabe por que foi!
BRÁULIO – Não, velho, para isso naõ tem desculpa. Você traiu a gente e isso naõ tem desculpa.
MARIA (segurando a mãe de Tião) – Por que, Tião?
TIÃO – Não se preocupa Maria. O que interessa para a gente é que eu não vou perder o emprego. Eu entrei, furei a greve, o encarregado tomou nota do nome da gente. Deu mil cruzeiros para cada um de gratificação e disso que a gente naõ ia se arrepender. Para mim é o que basta.
ROMANA – Desta vez, filho, você fez besteira!
TIÃO – Cada um resolve seus problemas como pode! O meu, eu resolvi desse jeito.
BRÁULIO – Traindo seus companheiros! Se todo mundo pensasse assim, adeus aumento meu velho!
TIÃO – Eu não podia arriscar!
BRÁULIO – Arriscar o quê?
TIÃO – Meu emprego. A gente precisa viver! Se eu perco meu emprego como é que eu fico?
BRÁULIO – Não fica muito pior, não! Arriscar salário mínimo é o mesmo que não arriscar nada. E depois, todo mundo tem seus problemas para resolver, ninguém ia aguentar muito tempo. Você quis agir sozinho, meu velho, e sozinho não adiantam!
TIÃO (obstinado) – Greve é defesa de um direito. Eu não quis defender meu direito e chega!
BRÁULIO – Você se sujou, Tião! Agora vai ser pior!...
TIÃO – Tenho meu emprego!
BRÁULIO (exaltando-se mais) – Ninguém vai perder o emprego, a gente já venceu a greve!
TIÃO – Podia não vencer!
ROMANA – Chega de bate boca! Vocês resolvem isso depois!
MARIA (a Tião) – Você não devia!
TIÃO – Não se preocupe, eu sei o que faço!...
ROMANA (com amargura) – Por isso você não saiu com teu pai, por isso não voltou com teu pai...
BRÁULIO – Nem adiantava esperar... Otávio foi um grande cara. Se não fosse ele e mais meia dúzia de piquetes, a greve gorava. É assim que a gente deve pensar Tião, e não tirar o corpo fora, resolver os problemas pela metade, deixando os outros no fogo...
TIÃO (gritando) – Vai cuidar da tua vida!
ROMANA – Cala a boca, Tião!
BRÁULIO – Otávio ficou entusiasmado e começou a fazer comício na porta da fábrica. Foi em cana! Prenderam-no como agitador!
ROMANA (Tira o avental.). Eu vou até lá...
BRÁULIO – Não vale à pena, D. Romana, tá uma turma tratando de soltar ele!
ROMANA – Que turma! Eu sou mulher dele, não sou? Eu vou lá! Meu marido preso, quem é que cuida disso aqui? Eu vou lá! (Saem)