segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"Esse vidro fechado...

...E a grade no portão
Suposta segurança
Mas não são protecção"
Já que os grandes culpados disso tudo somos nós mesmos. Eu já havia falado sobre este tema, inclusive usando a mesma música, neste post. Mas, esse final de semana, fui passar o Natal na casa dos meus avó, que fica em Baurú e, desde quando pude avistar casas, logo na entrada na cidade, e as que pude ver, me lembraram, sinceramente, a presídios. Elas tinham, alem de muros altos, cercas eléctricas e arame farpado, bem no estilo desta foto mesmo.
Não sei quanto a vocês, mas acho um absurdo viver assim, presos.
"Protótipo imperfeito
Tão cheio de rancor
É fácil dar defeito
É só lhe dar poder"
O homem é imperfeito, sim! Mas não irreparável. Talvez se fossem tão poucos os que tem poder...
"Se tornam prisioneiros
Das posses ao redor
Olhando por entre as grades
O que a vida podia ser"

Eu sei que o "perfeito sonho americano" que tanto vemos nos filmes não existe, mas a vida, digo, o modo como vivemos podia, sim, ser melhor!

"E é com mão aberta
Que se tem cada vez mais
A usura que te move
Só vai te puxar para trás
"
Viver por dinheiro realmente não compensa, é como aquela velha história, que as pessoas estão cansadas de ouvir: quando você morre, não leva dinheiro junto. Pode ser pura verdade, sim! Mas usar este argumento tão clichê já não dá. Se alguém quer ser ouvido, tem que ir alem disso. Mostrar que é possível. Ninguém precisa ser rico, ou ter coisas da moda para viver. Podemos ter tudo, e não ter nada, porque o que realmente importa, está do outro lado do muro.

p.s.: Letra e música da Pitty, que já apareceu várias vezes aqui, confesso que ela me inspira um bocado, se quiserem ouvir a música, está aqui.

5 comentários:

Gabi Soares disse...

Olá querida.
Vim retribuir a visita ao meu blog... meu Natal também não foi nada legal, e temo que a mágoa demore a passar. Mas acredito sempre em dias melhores =)

Já estou te seguindo.

Beeeijo!

http://gabisoaress.blogspot.com/

Lika FRÔ disse...

"Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras, entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras, entre escombros da nossa solidez
Nas grandes cidades de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo pra descobrir
Que não é por aí... não é por nada não
Não, não pode ser... é claro que não é, será?
Meninos de rua, delírios de ruínas
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear
(solidez)
Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como tentar o suicídio ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder"

*Você vai gostar dessa música, penso eu. Chama-se Muros e Grades da minha banda favorita Engenheiros do Hawaii.

Tina disse...

Li a letra e achei que fosse um poema (super). Então ouvi a música e gostei mais ainda .. :)

Luis Eduardo Veloso Garcia disse...

Liberdade


O pássaro é livre na prisão do ar.
O espírito é livre na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.
(Drummond)

Tina disse...

Nossa! Vou te dizer uma coisa: há muito tempo uma poesia não me surpreende desse jeito. Esperava que o a última frase fosse tudo, menos isso. E talvez a verdade ;x