sábado, 19 de novembro de 2011

Eu já devia ter postado isso há alguns dias, mas devido às provas e trabalhos finais ando meio sem tempo, o que não significa que não tenha o que falar, na verdade, tenho muito a dizer, mas, por ora, vou contar algo que me aconteceu na semana passada.
Na sexta-feira, eu tive uma prova, apenas, que começaria às 21h, mas como moro em uma cidade e estudo em outra, tive de vir para Jacarezinho às 19h, como sempre. Alguns dos meus amigos, na verdade a maioria deles, também não mora aqui, por isso estávamos todos os que iam fazer prova, e um que não ia fazer prova, nem é de outra cidade, mas adora passear por aqui pela universidade!
Então, resolvemos ir comer um pastel para passar o tempo e aumentar a fome, não é?
Tudo ia como de costume, discutimos sobre o que pedir, pedimos, os pastéis chegaram e estávamos comendo.
Foi quando um homem, que não me pareceu morador de rua, mas talvez o fosse, parou em nossa mesa, que estava do lado de fora da pastelaria, e disse:
- Será que vocês não tem R$1 para me inteirar para eu comprar um salgado?
Silêncio.
- Eu já tomei minha pinga - E mostrou a sacola que trazia com uma garrafa pela metade - agora eu estou com fome.
Silêncio.
Foi quando o dono lugar chegou dizendo:
- Não está vendo que você está atrapalhando, não? Vaza daqui, ninguém te quer aqui!
Nesse momento, um de meus amigos cortou um pedaço de seu pastel e lhe deu, o homem agradeceu e saiu. Pude ver, que enquanto ele caminhava olhava para o pedaço de pastel em sua mão com um sorriso irónico, como quem dizia:
- Eles podiam me dar bem mais que isso, se quisessem.
Depois disso vários comentários vieram, mas cada um deles só fazia eu me sentir pior.
- Meu pai é policial, ele me disse que devemos ficar longe de pessoas assim, e comer só em lugares fechados.
- Onde eu morava, qualquer um que chegasse assim em nossa mesa poderia nos assaltar.
- Ele poderia ter matado a todos nós, se quisesse.
- Ele nos olhou de uma forma estranha, principalmente para você, Jéssica.
Mas eu não ouvia direito, estava me remoendo, só porque não tinha dinheiro e meus amigos haviam me dado um suco, eu apenas os acompanhava, eu não lhe dei nem atenção. Sequer repreendi o dono do lugar, dizendo que ele não estava nos incomodando ou algo do tipo. Fiquei quieta. Parada. Quanto mais penso mais percebo que grande parte das coisas que digo raramente faço, e nem consigo perceber porque! Sempre depois  que alguma coisa acontece eu penso: "poderia ter agido assim." Mas eu nunca faço. Não faço nem a coisa errada. Simplesmente não faço nada. Este é o meu problema: sou só uma pessoa de falar que não sabe agir!

3 comentários:

Nícolas Ferreira da Silva disse...

"poderia ter agido assim."

Essa ideia ficou na minha cabeça desde aquele dia, o pior de agir errado é quando percebemos o erro, causa uma sensação de falsidade, como se a consciência só agisse em aparência e não na ação...

Isso não se aplica somente nesse caso, acho difícil controlar minhas ações e nem sempre elas condizem com o que penso, será que meu pensamento é a realidade de mim ? Ou só uma tentativa de querer ser ?

Hoje eu ouvi uma mulher reclamando que não conseguia achar uma "doméstica" que fizesse tudo que ela mandasse e assim teria ela mesma que limpar sua casa, vida sofrível... mesmo ela recebendo R$ 13000,00 por mês, mesmo sendo uma pensão do marido que já morreu e não necessitando trabalhar...

Futilidade de alguém que ganha mais do que necessita e prefere ignorar o fato de que existem pessoas morrendo de fome ? Pois eu tenho certeza que possuo muito mais do que necessito para viver confortavelmente e isso me faz igual a essa mulher, visto que não compartilho, somente aponto.

Eu tenho certeza que poderia ter agido assim, mas ainda não tenho resposta para o contrário.

Jéssica Marques disse...

" mas ainda não tenho resposta para o contrário."

Isso não se aplica só a coisas desse tipo, são várias as coisas que às vezes dizemos mas naõ conseguimos fazer ;x

Pedro Laperuta disse...

Pois é, me sinto mal quando cruzo com pessoas do tipo na rua, na verdade a gente nunca sabe sobre a vida delas, sobre como, onde e poruqe elas estão pedindo... é muito complicado dar ou não esmola, e é mais complicado ainda julgar "sorrisinhos irônicos"... não sei se faria efeito saber da vida das pessoas, mas que dá um aperto no peito quando fazemos a caridade dá. Já dei dinheiro pra um rapaz comprar passagem, quando eu virei as costas ele comprou um sorvete... enfim, a gente nunca sabe a verdade, mas que dá um aperto e uma certa raiva desse mundo nessas horas, isso sempre dá em mim!!