segunda-feira, 11 de junho de 2012

Olhos fixos na TV


Eu não vou chorar, eu não vou chorar. Mas a cada palavra que saia da boca dele eu ficava mais e mais nervosa. Eu tenho isso de chorar quando fico com raiva. Não é uma coisa boa, acreditem. É como se de repente eu me enchesse de algo ruim, porque a raiva é o tipo de sentimento que esmaga os outros, que os empurra para fora de mim. E é por isso que eu choro. Mas eu não queria chorar naquele momento. Parece que a minha casa escolheu aquela hora para ficar cheia, para que todo mundo me visse chorar de raiva de um cara na TV. Um cara que nem sequer era real. Mas será que era dele que eu sentia raiva? Ou será que era da reação que ele causava? De como as pessoas riam do que ele dizia, embora eu achasse tudo nojento e ridículo. Talvez fosse. Não quero chorar. Eu sequer piscava, mas o sentimento já escorria por mim. Tive que sair, eu quis disfarçar, não queria ninguém perguntando: "Por que você está chorando?", queria só chorar, e depois parar, voltar para a sala e ver que ninguém mais assistia àquele filme, ninguém mais ouvia o que o homem do filme dizia. Ninguém mais ria dele. E tudo voltara ao normal.

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