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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Chego em casa.

Está tudo tão normal, igual. A cor acinzentada a qual já me acostumei. A luz cálida que entra pela porta aberta vai perdendo a intensidade enquanto subo os três lances de escada anti derrapante. Subindo observo a porta do apartamento 13. Ela me intriga. Passo por ela como sempre, fingindo não dar importância. Mas agora é diferente. Quando já estava eu a subir pelo meu terceiro e último lance de escada, ouço os passos de alguém que sobe apressadamente. Disfarço, pois quero saber quem é. Me parece tudo tão enfadonho que anseio por uma novidade qualquer. É uma freira. Rápida e apressadamente ela destranca a porta 13 e entra, deixando-a aberta atrás de si. Sinto a curiosidade a me consumir, talvez eu possa fingir que estava apenas fechando a porta para ela e finalmente ver alguns centímetros do tal lugar. Eu já havia visto uma senhora entrar e sair algumas vezes, imaginava ser alguma solteirona morando sozinha. Mas a presença da freira, com a chave da porta, me deixou apreensiva. Voltei …

Está tudo tão confuso!

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E cada música que eu ouço, cada poema que eu leio me lembram tantas coisas! Muito do que era recente agora me parece tão distante, assim como o que aconteceu há muito tempo me soa tão perto. Meus pensamentos me traem a cada segundo, meus sonhos me surpreendem como nunca! Eu não me lembro de já ter estado tão fora de mim, de conhecer tão pouco de minhas vontades, meus desejos e angústias. É estranho como tudo vira de ponta-cabeça de repente... E a gente vai tentando se equilibrar, mas não sabe se consegue. Ao mesmo tempo em que tudo parece tão natural e normal, me vêm sentimentos novos e angústias eternas. Acho que nunca vou saber me definir.

E eu vou...

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...E vou apenas indo. Já fiz planos para a vida inteira tantas vezes que precisaria de mais vidas para poder fazer tudo. Acho que agora chegou a hora de parar de planejar, mas o simples fato de eu dizer isso me faz estar planejando não planejar. Então não direi mais. Retiro o que disse. Acho que retiro. E acho que "acho" é a palavra que mais uso neste blog. Não que eu pense que a minha opinião é o mais importante, até porque nem sempre eu tenho opinião e, quando tenho, ela muda numa velocidade incrível! É quase constante. Mas o que eu decidi agora é o que vale. Talvez amanhã eu mude de ideia, mas aí é outra história...

Ainda estou pensando no que vou fazer.

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Ao criar o blog, nem eu sei qual foi minha intenção. Mas sei que com o tempo ele se tornou meu refúgio, onde eu poderia falar tudo o que quisesse e ter como resposta a opinião de pessoas que nunca nem sonhariam em me conhecer pessoalmente, e isso era bom. Mas eu fui encontrada e algumas coisas desagradáveis aconteceram. Isso já foi há um tempo e eu pensei que já estava na hora mesmo de as pessoas saberem o que eu realmente pensava e continuei. Só que agora eu não consigo mais. Eu penso no que queria tanto dizer e imagino que alguém que eu vejo quase todo dia vai ler. E vai me olhar. E vai saber dos meus pensamentos mais íntimos e isso me incomoda. Acho que é mais fácil se abrir a um estranho. Ele não conhece o meu dia-a-dia, minha rotina, minha família. Ele não sabe de nada e por isso não julga. Mas é incrível como a gente se apega às coisas. Eu me apeguei a este lugar. Me apeguei a escrever. Na verdade eu escrevo há muito tempo, e não era à toa que eu escondia tudo embaixo da gaveta…

Felizes os ignorantes...

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... que repetem o que outros ignorantes disseram a vida toda, acreditando estarem corretos. Na verdade eles não fazem a menor ideia do que estão dizendo, mas ouviram isso tantas vezes que se tornou verdade em sua mente.

Pensei em tanta coisa.

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Por estes dias o que eu mais tenho feito é pensar. Se eu pudesse gravar meus pensamentos teria publicado muitos textos. Livros. Eu penso continuamente mas escrevo com pausas e isso tem sido um problema. A falta de escrever me deixa com falta de mim e excesso de pensamentos. Acho que vou voltar para o meu mundo, passei tempo de mais na realidade e ela me incomoda profundamente. Tenho me sentido confusa e ela não me ajuda em nada. É desconfortável estar em casa e não se sentir em casa, pensar até o coração doer e não conseguir achar um jeito de se adaptar. Talvez seja porque não sou um ser evolutivo. Vou juntar minhas pessoas e voltar ao meu mundo. Ao contrário do que pode pensar, não existem pessoas imaginárias em meu mundo. O imaginário tem muito eu, já não me surpreende. Gosto do outro. O outro é novo, um universo a se descobrir. Vejo o outro no espelho e não o reconheço. Que coisa fascinante é o espelho.