segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A censura ainda existe!

 O que é bom e faz pensar, questionar, não tem espaço na mídia. Ouvimos e vemos, somos atacados por música e programas de TV sem qualidade alguma. Perdi a conta da quantidade de vezes que ouvi pessoas dizendo que a música ou cinema brasileiro "não prestam". Mal entendem elas que não os conhecem verdadeiramente e que o que conhecem do que vem de fora - basicamente filmes e música americana - muitas vezes vem censurado também.

- Ah! Mais filme brasileiro tem muito palavrão!

Assista a um filme americano bem legendado, ou com o mínimo de conhecimento da língua para perceber que eles também os tem. Mas a dublagem - censura - encobre tudo e deixa "bonitinho" para a sociedade ver e gostar, e preferir.

Existe a falsa ideia de que tudo que vem de fora é bom e que o Brasil não tem conserto. Mas não terá mesmo se não houver força de vontade para melhorar. Se quem compartilhou imagens com os dizeres "O gigante acordou" em julho condenar quem persiste até agora. Se desistirem e voltarem a suas vidinhas de reclamar para o vizinho mas não levar às autoridades - a quem tem o poder para fazer alguma coisa, e nem cobrar por isso depois!

Se se contentarem com fotos segurando cartazes com frases que copiaram da internet - porque tem preguiça de pensar por si, de pensar no que queriam reivindicar.

É mais fácil - e acreditam mais bonito - parcelar o máximo de vezes que conseguirem um IPhone para tirar fotos - no espelho, é claro, para que ele apareça - e postar, de cada momento do seu dia. Mal percebem a hipocrisia que vivem e idolatram. Endeusaram o consumo!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Bebi


E bebi porque na hora me pareceu o melhor a fazer,
muito embora tudo isso agora me pareça vão.
Bebi por não compreender, sorri sem risos dentro de mim e no fim:
aqui estou.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cíntia

Eu almoçava. Ela chegou olhando em volta, óculos escuros e jeito curioso. Havia mesas vazias e eu comia a um canto. Caminhou até mim e perguntou:

- Tem alguém sentado aqui? - Indicando a cadeira ao meu lado.

- Não. Fique a vontade!

Me perguntei sobre os motivos que a levaram a querer minha companhia. Nesse meu último ano e meio de almoços em restaurantes vi tipos e costumes. É engraçado quanta gente diferente cabe em uma cidade pequena. Mas o que me intriga é que grande parte dessas pessoas almoça sozinha.

Começamos a conversar e percebi que ela só poderia ter sido enviada a mim, para compartilhar seu suco e sua filosofia. Eu a olhava e me via, um tanto modificada, mas ainda eu. Sua entrega, sinceridade e simpatia me tocaram profundamente.

Aquela mulher, que sem razão veio, sentou-se ao meu lado, almoçou e se foi, me disse, entre outras coisas, o que eu precisava e queria ouvir, antes mesmo que eu dissesse que concordava com cada palavra que saia de sua boca, coberta por batom rosa.

- Não sei lidar com mau humor, gosto de gente que sorri! [...] Boa educação é o essencial! [...] A gente recebe de volta aquilo que distribui e não é uma cara feia que eu quero que volte para mim. [...] Faça aquilo que você gosta, de maneira que teu sorriso venha daqui até aqui enquanto trabalha. - E mostrava as orelhas com os indicadores.

Cíntia se foi e eu me indagava sobre sua existência. Ela saiu e eu fiquei observando seu prato, a única prova de que ela estivera ali.

Espero que não se chateie por postar fotos tuas, mas é que achei muito bo-bonita!