sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um tanto

"Antes de virar senhor
Queria o mundo viajar
Conhecer histórias que farão de mim
Melhor em qualquer lugar"

 Rodrigo Suricato

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

De onde vem o ódio?

Durante uma manhã inteira eu presenciei o ódio, o ódio de uma maneira simples, porém complexa. O ódio pelo ódio, quase sem motivo aparente. O ódio profundo pelo pouco, o ódio superficial que demora a passar.

E essa presença foi, pouco a pouco, se tornando palpável, entrando em mim. Como um mar gelado, um mar de gelatina! Denso, porém doce, como se tentasse me convencer de que me afogar seria bom, prazeroso.

Não fosse um segundo de repentina sanidade, teria me entregado a ele. O ódio me seduziu essa manhã. Entre as palavras ouvidas, que não me deveriam ter entrado pelas orelhas, ele balbuciava: "vim te buscar".

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Porém meu pc não me deixou escrever nada

"Por você escreveria

Um livro sobre o insólito

Um almanaque simples, óbvio

Guia completo do amor

Uma enciclopédia do utópico

Um dicionário do amor



E em cada verbete

Um singelo lembrete:

Em sua companhia quero estar"

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O sentir

Sentir o mundo.
Senti-lo.
Cada pétala e detalhe,
cada vírgula e entalhe.

Sentir o todo.
Vivê-lo.
E o todo viver em mim.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

De onde eu venho?


Eu tenho um vazio dentro de mim.Uma imensidão inexplicável. Um sorriso triste de quem grita: "Não sou daqui!".

Só não sei de onde sou.

Eu vivo a felicidade que me permito sentir. Os sorrisos que posso ter.

Mas, quando se aproxima de mim o mal eu o sinto, como uma presença palpável em meu peito: Querem que eu seja má. Querem que eu deseje o mal.

De onde eu venho isso não existe, não é visto como comum, usual. Me dói não poder voltar, não saber como.

Ou talvez, eu volte todos os dias, depois que o sol já está se recolhendo, e por lá fique até pela manhã, no nosso mundo de felicidade.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

No escuro hall de entrada, eu só via aquelas sombras...
E a garrafa na mesinha, mal se via na penumbra.
Agora só eu e a estrada, que tremula, que tremula.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Hoje eu descobri.

Descobri que gosto de aprender Matemática, que sinto falta de ler e que gostaria de escrever mais. Hoje, num só instante, eu descobri que gosto de ensinar, mas que não tenho gosto no desgosto alheio, que o não me dói.

Assim, de repente e com muita gente olhando, eu me peguei no rumo errado, do jeito errado. Talvez seja só questão de aprender a fazer, ou então fosse melhor repensar o quanto antes minha vida profissional.

Vida profissional! Pensei que eu nunca diria isso! Minha vida tomou um rumo estranho e de repente eu cresci... Cresci sem crescer.

Acho que me resta aprender a ser grande mesmo sendo pequena, aprender a brincar de adulto sendo criança, aprender a brincar de números, mesmo sendo letra. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Não vale a pena.

"Não vale a pena perder tempo tentando mudar o mundo, basta evitar que o mundo mude você." - Carlos Ruiz Zafón

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Fumaça

Aos poucos entra por debaixo da porta enquanto eu a encaro. Relaxo. Em poucos minutos tudo acabará. Ela não sabia o quanto era bom quando todos morriam. Quando morriam sozinhos eu não precisava fazer nada. Relaxe, porra! Agora é o fim.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Um detalhe de nós,
uma ideia que você me deu.
Só uma coisa boba,
algo que não se perdeu.

Teus óculos na minha face,
a gente rindo e brincando.
E apenas nas minhas bochechas,
eles estavam se segurando.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

E, no vai e vem da nossa dança
eu sinto não caber em mim!
Minha felicidade alcança
essa maré sem fim.
Meu peito balança
e o teu sorriso de criança
só faz-me dizer-te sim.

segunda-feira, 24 de março de 2014

terça-feira, 18 de março de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Pés

Texto retirado do diário de Alice S. (9 de julho de 1998)


Pés descalços que agora calçam sapatos. Eu os vejo daqui onde estou. Sapatos calçados, sinto um movimento na cama sobre mim e os observo caminhar até a porta, abri-la e se retirarem do pequeno quarto.

Aguardo ainda alguns instantes, mas talvez tenham sido horas a fio ali, embaixo da cama, pressionando meu corpo contra a parede áspera, retesando-me e respirando o mínimo possível. Não queria ser descoberta.

A noite toda. Dali do meu canto seguro eu o vi chegar, os ouvi discutindo e se reconciliando na cama de solteiro acima de mim. Senti o cheiro pulsante das drogas pesadas e das bebidas que minha mãe guarda no armário. Aquietei-me ainda mais, tentei pensar em algum motivo para sair dali: nenhum. 

Mas agora a situação mudara. Ele se fora e os roncos de minha mãe ressoavam pela casa afora. Pouco a pouco, rastejei para fora da proteção sob o colchão, senti o frio chão a muito não encerado, com manchas esverdeadas aqui e lá.

Levantei-me, olhando ao redor o estrago da noite anterior. E o maior deles: deitada na cama, com uma camisola velha e rasgada estava a minha mãe. Há anos ela não era mais a mesma e as atuais companhias não pareciam capazes de melhoras muito essa situação.

Vários quilos acima do peso, o cabelo desgrenhado e um caminho de saliva que escorria pelo canto da boca entre um ronco e outro não lhe emprestavam um ar muito sensual mas eu sabia que ela já fora muito atraente.

Virei as costas e saí a procura de algo para comer e ocupar o restante das horas do meu dia.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Eu me chamo Alice

Texto extraído do diário de Alice S. (13 de julho de 2003)
Levei cinco anos para encontrar meu pai, cinco anos desde que resolvi procurá-lo. Se tivesse contado desde que nasci teria levado 20 anos para encontrar meu pai. Acho que levei um bom tempo até conseguir ir atrás desse cara.

Agora, sentada a uma pequena distância do cafe que ele costuma frequentar, penso sobre o que vou fazer, remoendo o que vai em minha mente. Penso em uma mulher e uma criança sozinhas.

Penso em tudo o que passamos e tudo o que sofremos e tenho a certeza de que para cada dor e cada perda há um culpado: ele.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014