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L’appel Du vide

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Encarar o vazio. Primeiro era o vento, e o turbilhão de sentimentos. A raiva, o choro, o desespero mas nunca o medo. Não. O medo não. O medo sempre fora uma invenção, uma forma de fugir de tudo, fingir ter medo. A realidade me batia no rosto junto daquele vento forte e parecia me cortar as faces. Era como um milhão de folhas raspando em minha pele. Eu olhava para baixo e via o nada. E o nada me olhava de volta. Depois era o vazio, e a torrente de lembranças. A noite passada e os entorpecentes. O carro indo embora e me deixando no meio da estrada. Os risos. Os olhos. As palavras e o eco das palavras. O eco é sempre maior, na verdade. Minha cabeça tem uma reflexão sonora imensa. E, como um choque, a água. E com ela o frio. E com o frio a calma. O mar por cima é agitado, cheio de ondas e violência. Ao submergir, observa-se o mar verdadeiro. Calmo e silencioso. Eu estava finalmente em paz. Estava no frio, na calma, no silêncio do mar. Então eu finalmente encontrei o medo.

Redundância

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Eu só queria a redundância da certeza absoluta.

5h50

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Acordar tão cedo para fazer o que não quero fazer;
Passar tanto tempo sendo quem não quero ser.

Eu sou assim!

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Grossa. Estúpida. Falo mal de quem fala mal dos outros, porque é horrível fazerem isso. Acho que todos se interessam muito por cada detalhe da minha vida e dos meus amigos. Me orgulho de tratar as outras pessoas mal. Não sou um iceberg. Sou só isso que mostro. Um nada. Vazia.

Escuro

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Deitada no chão, sinto a maciez da grama abaixo de mim. Os insetos ainda me incomodam. Me concentro em seus zumbidos, ao invés de tentar dissociá-los de minhas ideias. As estrelas refletem em minhas pálpebras fechadas, e eu as encaro ferozmente. É como se cada segundo, cada coisa por que passei durante toda a minha vida, cada pessoa com que falei, cada passo, cada respirar tivessem apenas um propósito: me trazer até este momento. Lentamente abro os olhos para a escuridão que me cerca. Olho o céu acima de mim, sem saber do que se trata isso de em cima, afinal, todos estamos flutuando nisso tudo. Sinto o orbitar da Terra, me levando junto, ao mesmo tempo em que o profundo do meu ser orbita ao redor de tudo. Um pulsar cada vez mais lento ocupa meu peito, como se eu percebesse, neste exato momento, que o pulsar não é um movimento cardíaco, físico, mas o meu eu dizendo: eu existo!