terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Escuro

Deitada no chão, sinto a maciez da grama abaixo de mim. Os insetos ainda me incomodam. Me concentro em seus zumbidos, ao invés de tentar dissociá-los de minhas ideias. As estrelas refletem em minhas pálpebras fechadas, e eu as encaro ferozmente. É como se cada segundo, cada coisa por que passei durante toda a minha vida, cada pessoa com que falei, cada passo, cada respirar tivessem apenas um propósito: me trazer até este momento. Lentamente abro os olhos para a escuridão que me cerca. Olho o céu acima de mim, sem saber do que se trata isso de em cima, afinal, todos estamos flutuando nisso tudo. Sinto o orbitar da Terra, me levando junto, ao mesmo tempo em que o profundo do meu ser orbita ao redor de tudo. Um pulsar cada vez mais lento ocupa meu peito, como se eu percebesse, neste exato momento, que o pulsar não é um movimento cardíaco, físico, mas o meu eu dizendo: eu existo!