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Mostrando postagens de junho, 2012
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"Quem mantém os dois pés no chão não sai do lugar" -  Tor Åge Bringsværd

Chuva

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Mas não era qualquer chuva, foi algo torrencial. E eu, com meu quase guarda-chuva, tentando atravessar a rua. Súbito começo a rir, pareço uma idiota aqui, mas é que a água que desce pela rua quase me cobre os joelhos. Eu bem que poderia saber nadar. Seria bem mais divertido que tentar andar com um quase guarda-chuva cor de mostarda que não me servia de nada, pois eu estava ensopada, na mão. Não foi uma sensação ruim, a água era limpa, o que não é lá muito normal.  Água  de chuva é limpa enquanto cai, mas não posso dizer o mesmo depois que ela já está no chão. Gosto de ser óbvia de vez em quando, o mundo vive achando que sabe de coisa demais para se ser óbvio.  Acho  que já está na hora de eu tentar atravessar esse quase-riacho no meu caminho. Hoje o meu dia está cheio de quases! Eu, só alguém com um quase guarda-chuva tentando atravessar um quase-riacho. Devagar e cautelosamente,...

Acho

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Acho que já faz um bom tempo que eu não fazia isso. Ou melhor, que isso não acontecia comigo, porque não eu quem faz, simplesmente acontece. Em um momento está tudo normal, em outro parece que o mundo ficou devagar. Me basta ver algo que me chame a atenção, um simples gesto de momento ou algo assim. Mas é bom, parece até que eu estou fora da situação.

Ontem me disseram.

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Ontem me disseram que eu sou maluca e que as pessoas que gostam de mim gostam de verdade, foi o que me disseram ontem. Ontem alguém me disse: "é impossível gostar um pouquinho de um louco, ou você realmente ama ou detesta". Disseram, disseram sim e foi bem assim: "me desculpe por eu só te ligar quando estou triste, mas é que você me deixa feliz, quem me dera ser como você". Ainda me pergunto se essa pessoa sabia o que dizia. Talvez ela tenha se arrependido assim que desligou o telefone, talvez ainda pense essas maluquices de ser como eu. Mas um dia ela percebe...

Olhos fixos na TV

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Eu não vou chorar, eu não vou chorar. Mas a cada palavra que saia da boca dele eu ficava mais e mais nervosa. Eu tenho isso de chorar quando fico com raiva. Não é uma coisa boa, acreditem. É como se de repente eu me enchesse de algo ruim, porque a raiva é o tipo de sentimento que esmaga os outros, que os empurra para fora de mim. E é por isso que eu choro. Mas eu não queria chorar naquele momento. Parece que a minha casa escolheu aquela hora para ficar cheia, para que todo mundo me visse chorar de raiva de um cara na TV. Um cara que nem sequer era real. Mas será que era dele que eu sentia raiva? Ou será que era da reação que ele causava? De como as pessoas riam do que ele dizia, embora eu achasse tudo nojento e ridículo. Talvez fosse. Não quero chorar. Eu sequer piscava, mas o sentimento já escorria por mim. Tive que sair, eu quis disfarçar, não queria ninguém perguntando: "Por que você está chorando?", queria só chorar, e depois parar, voltar para a sala e ver que ningué...

Silêncio

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Som de um carro vindo de longe. Buzina. Silêncio. Livro. Alguém vem vindo. Alô! Oi... Estou ligando só para saber... Passa. Livro. Parece que estou lendo a mesma página de novo. Será? Barulho de carro. Ônibus. Não é esse. Para. Alguém que eu nem sabia que estava ali sobe. Vai. Silêncio. Céu. Rua. Praça. Eu. Livro. Silêncio.  Suspiro.

Quer fumar?

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Então fuma! Mas não tire o meu direito de não querer fumar! Poxa! Ontem eu estava numa lanchonete com cartazes dizendo ser proibido fumar lá dentro e só no meu campo de visão, que de costas para a maior parte do lugar, havia duas pessoas fumando, e ainda por cima com toda aquela fumaça vindo para o meu lado. Antes de mais nada, quero lembrar que eu sofro de bronquite asmática, e que por isso procuro evitar lugares fechados onde se pode fumar. Já ouvi diversas pessoas dizendo que os incomodados que se retirem, mas isso vai bem mais além. Eu sou da opinião de que não é necessário uma lei proibindo o cigarro em ambientes como bares e restaurantes, mas sim que seja uma opção do dono do lugar, e se ele optar por proibir que seja minimamente repeitado. Porque não é, como muita gente diz e pensa, uma "frescura" se incomodar com a fumaça.

Blá, blá, blá

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Fotos, poses, flashes. É tudo tão importante que a vida ao redor deixa de ter importância. Mensagens, recados, recatos. Quem casou? Quem se separou? Quem teve filhos? Blá, blá, blá, desimportante e desinteressante. Cantores do momento, resumo da novela, quanta baboseira! E eu que perco tempo lendo Harry Potter. Isso não dá futuro menina, vai estudar. Ixi! Quero nunca aprender isso na vida. Mas consegue vencer o jogo do EGO com o nome dos filhos dos famosos. Como pode dizer que desperdiço tempo se não lhe digo o mesmo? Quem sou eu para julgar? Só quero paz.

Não que eu goste.

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Não que eu goste de assuntos repetidos, de ficar voltando sempre com a mesma conversa ou falando de novo coisas que eu já citei aqui e ali . Mas é que eu não aguentei, eu nunca aguento, é só chegar a bendita época do ano para eu me revoltar de novo. Não adianta de nada, eu sei, sair contando aos quatro ventos quão grande é a minha indignação, mas eu tenho essa necessidade de falar. E a tenho por dois motivos que conheço bem: acreditar que um dia, de tanto eu falar talvez as pessoas percebam as vendas que trazem e me ajudem a também tirar as minhas, que pensem sobre o que fazem e sobre o valor de cada ato. O que vale mais afinal? Alguns números dizendo num papel que você sabe uma coisa na verdade não sabe?; Meu outro motivo é bem menos importante mas não menos real, e me orgulho de assumir mesmo sem me orgulhar de tê-lo: é essa minha carência de ser pensante, essa minha vontade de não mais ouvir que se outra pessoa estivesse no meu lugar não ficaria calada, como se o meu s...

Foi só de pensar.

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Foi só de pensar, e o telefone tocou. Pode ser que seja, telepatia estranha, vontade ficar perto, querer sentir o cheiro. "Posso te buscar?". Pode me levar para onde quiser. Porque só de lembrar  o telefone tocou, e o meu dia não foi só mais um. Talvez a minha vida não seja mais a mesma desde aquele catorze, ou um pouco antes, até um muito depois. Porque a gente muda. Tudo muda, e eu mesmo querendo não posso ser diferente. E fico feliz que mude e continue igual. E que ainda, apesar do tempo, mesmo só de pensar o telefone toque, e eu ouça aquele gostoso "posso te buscar?". E diga sim, vou te esperar. E diga sim, também estou com saudades. E diga sim, fique mais um pouco, que não demora o dia está claro. Como se isso importasse, e não fosse desculpa esfarrapada para o fim de semana não acabar tão cedo. Porque a semana demora, e quando eu vejo já se fazem anos. E tudo mudou. Menos aquele catorze.