Meu trapézio balançando lento, preso lá no firmamento e eu tentando me equilibrar. Equilibrar-me e quem sabe, de tão próxima, esticar lentamente minhas mãos na possibilidade de uma estrela alcançar. Mágico esse momento,esse lugar onde se podia de repente escutar: - Ah os meus bigodes! é tarde, é tarde, tão tarde até que arde, alô, adeus, é tarde é tarde é tarde. Estaria eu delirando ou teria mesmo ouvido o meu relógio de parede falar? Ponteiro dos segundos a correr, desesperado, obcecado em manter o tempo a girar e o 1o de Janeiro marcar. Mas novo ano entrou e o ponteiro não descansou. É tarde, é tarde, alô, adeus, hoje, ontem, amanhã, velho ano, ano novo, tudo igual, tudo igual, tudo igual ... Era o cuco do relógio balançando lento, na dança do tempo, e eu tentando me equilibrar no fio do presente sem resvalar no passado ou no futuro. Equilibrar-me no fio do presente e sentir, que mesmo sendo igual a tantos outros momentos do ontem, do velho ou do novo não é isso que importa. Existi...