"Feliz Brasil, que não se preocupa com problemas, não pensa e apenas sonha em ser, num futuro muito próximo, 'o primeiro País do Mundo'..." - Jorge Amado (O país do Carnaval)
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Não sei.
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Acho que de repente tudo ficou tão leve, tão fácil. Como se a vida toda eu tivesse complicado as coisas. É tudo simples, sempre foi. É só fechar os olhos e respirar. Respirar pode ser fácil se eu tentar sempre. Ainda escuto um ruído às vezes quando o faço, mas com o tempo pode ser que passe, se eu fizer o que precisa ser feito. Será que vou sentir saudade? Não sei. Espero que não. Mas saudade pode significar que se gosta; então espero que sim. Eu sei que posso passar mais que uma semana sem sentir tanta saudade só falando ao telefone e pela internet, mas é porque eu sei que ele está a poucos minutos de mim, logo ali do outro lado. É estranho como só de saber que a distância aumentou a saudade também aumenta, mesmo sabendo que não vai demorar tanto assim. Entretanto, continuo leve. Respirando devagar e com um pouco de ruído. Embora o teclado do meu computador também esteja barulhento: me sinto um datilógrafa aqui! Não acho que eu demore para me acostumar com as coisas novas, mas ai...
Chuva
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Mas não era qualquer chuva, foi algo torrencial. E eu, com meu quase guarda-chuva, tentando atravessar a rua. Súbito começo a rir, pareço uma idiota aqui, mas é que a água que desce pela rua quase me cobre os joelhos. Eu bem que poderia saber nadar. Seria bem mais divertido que tentar andar com um quase guarda-chuva cor de mostarda que não me servia de nada, pois eu estava ensopada, na mão. Não foi uma sensação ruim, a água era limpa, o que não é lá muito normal. Água de chuva é limpa enquanto cai, mas não posso dizer o mesmo depois que ela já está no chão. Gosto de ser óbvia de vez em quando, o mundo vive achando que sabe de coisa demais para se ser óbvio. Acho que já está na hora de eu tentar atravessar esse quase-riacho no meu caminho. Hoje o meu dia está cheio de quases! Eu, só alguém com um quase guarda-chuva tentando atravessar um quase-riacho. Devagar e cautelosamente,...
Acho
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Acho que já faz um bom tempo que eu não fazia isso. Ou melhor, que isso não acontecia comigo, porque não eu quem faz, simplesmente acontece. Em um momento está tudo normal, em outro parece que o mundo ficou devagar. Me basta ver algo que me chame a atenção, um simples gesto de momento ou algo assim. Mas é bom, parece até que eu estou fora da situação.
Ontem me disseram.
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Ontem me disseram que eu sou maluca e que as pessoas que gostam de mim gostam de verdade, foi o que me disseram ontem. Ontem alguém me disse: "é impossível gostar um pouquinho de um louco, ou você realmente ama ou detesta". Disseram, disseram sim e foi bem assim: "me desculpe por eu só te ligar quando estou triste, mas é que você me deixa feliz, quem me dera ser como você". Ainda me pergunto se essa pessoa sabia o que dizia. Talvez ela tenha se arrependido assim que desligou o telefone, talvez ainda pense essas maluquices de ser como eu. Mas um dia ela percebe...
Olhos fixos na TV
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Eu não vou chorar, eu não vou chorar. Mas a cada palavra que saia da boca dele eu ficava mais e mais nervosa. Eu tenho isso de chorar quando fico com raiva. Não é uma coisa boa, acreditem. É como se de repente eu me enchesse de algo ruim, porque a raiva é o tipo de sentimento que esmaga os outros, que os empurra para fora de mim. E é por isso que eu choro. Mas eu não queria chorar naquele momento. Parece que a minha casa escolheu aquela hora para ficar cheia, para que todo mundo me visse chorar de raiva de um cara na TV. Um cara que nem sequer era real. Mas será que era dele que eu sentia raiva? Ou será que era da reação que ele causava? De como as pessoas riam do que ele dizia, embora eu achasse tudo nojento e ridículo. Talvez fosse. Não quero chorar. Eu sequer piscava, mas o sentimento já escorria por mim. Tive que sair, eu quis disfarçar, não queria ninguém perguntando: "Por que você está chorando?", queria só chorar, e depois parar, voltar para a sala e ver que ningué...