Olhos atentos. Todos falam. Eu não. "E se a gente só se apresentar à tarde?". Sugeriram. "Seria uma boa". Talvez. Quem vou chamar? Mãe, pai, Alex. Mãe e Alex trabalham, pai vai ao médico. Quem vai? Ninguém. Amigos? Quem? Meu primeiro motivo, meu primeiro choro. Olhares. "O que tem?". Nada. Nada importante para vocês. Meus poucos únicos amigos ou estão na peça ou não podem ir. Por motivos diversos. Medo. E se eu fracassar? Se for como em meu sonho, onde tudo derrete? Segundo motivo, segundo choro. Nunca me foi tão claro o quanto é difícil prosseguir sem máscaras. Não esconder o rosto enquanto se chora. Não fingir que não é nada quando sente uma pontada no peito e a garganta prender o ar. Os pensamentos correm. As lágrimas também. Olhares tristonhos se direccionam a mim. Eles sentem também.
Não gosto de ir ao psicólogo. Sempre que vou passo dias pensando em coisas que não quero mais pensar. Tem sentimentos que eu quero esquecer dentro de mim. É ridículo o quanto eu sei como eu sou insignificante, mas esperam que eu goste de mim mesma. Acho que foi a gota d'água. Já fazem mais de 7 anos que não escrevo aqui. Talvez a minha vontade de escrever tenha crescido tanto que explodiu. Penso que a solução seja voltar. Talvez assim eu possa explicar como é difícil viver na minha cabeça.
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Bjs