Abstração
4:30h. Rolo na cama sem conseguir dormir, apesar de meu corpo estar extremamente cansado, não conseguia fazer minha cabeça parar de rodar. Me levanto, percebo que estou tremendo, acho que estou com frio. Vou até o banheiro, no mesmo segundo em que fecho a porta, sinto meu estômago revirar, sobe-me à boca uma ânsia, o gosto amargo da derrota, do fundo do poço, quero tirar aquilo de mim, o cheiro do cigarro, do álcool me fazem me sentir pior do que já estou. Onde um dia foi minha barriga agora parece ter apenas um buraco, que aos poucos me consome. Olho para o que acabei de fazer, sinto nojo, não do vomito mas de meu corpo e do meu ser. Me tornei o que sempre odiei. Me levanto, vou cambaleando até o espelho, morta de medo do que vou ver. Fecho os olhos enquanto levanto, paro, reflicto, por um instante penso em me virar de costas para o espelho e sair dali, voltar para a cama e tentar dormir. Mas, então, tomo coragem e, lentamente, abro os olhos e vejo o que restou de uma garota, de alguém que pensou que havia crescido, mas que não passava de uma criança teimosa e irresponsável. Vejo minha olheiras, tão profundas como nunca. Meus olhos tão negros que nem pareciam ser meus, traziam em si uma amargura imensa. Meus lábios, em um tom levemente arroxeado, talvez pelo frio que eu sentia. Eu podia sentir meu coração sem sequer tocar nele, pulsava forte. Doía. E eu chorei. De pena, de nojo, de mim.

Comentários
Muito Sincera sua postagem Fleur! =)
Conquistou-me
Acho que essa história me pertence, ela é minha, de tempos onde a vida parecia inútil e sem graça...
Hoje eu não quero isso para mim e nem para você. Cuidado viu.
Beijos imensos