Não gosto de ir ao psicólogo. Sempre que vou passo dias pensando em coisas que não quero mais pensar. Tem sentimentos que eu quero esquecer dentro de mim. É ridículo o quanto eu sei como eu sou insignificante, mas esperam que eu goste de mim mesma. Acho que foi a gota d'água. Já fazem mais de 7 anos que não escrevo aqui. Talvez a minha vontade de escrever tenha crescido tanto que explodiu. Penso que a solução seja voltar. Talvez assim eu possa explicar como é difícil viver na minha cabeça.
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Sonhos
Deitada quase a dormir. Agindo como nós eles estão. Ainda somos assim? Gostaria que fossemos. Ainda somos. Súbito os ciúmes tomam-me. Ela não é minha. Mas não quero que seja de mais ninguém. Não sentia isso quando não era com ele. É como se eu soubesse que a magoará. Não é da minha conta. Não é minha vida amorosa. Não posso me intrometer. Acordo assustada. Sonho. Verdade. O que sinto não muda e sou mal compreendida. Meu bebe cresceu.
"Eu te amo calado...
... Como quem ouve uma sinfonia De silêncios e de luz." Lulu Santos -Eu te amo. -Eu também te amo. -Muito -Muito -Não foi uma pergunta. -Não importa - Riu ela, sem graça. -Mas é que eu não consigo expressar. -Quem disse? -Eu sei, não consigo expressar, mas eu te amo muito. Esta última frase tornou o clima meio tenso, mas um beijo mudou um pouco isso. Não que fosse a primeira vez que ele fazia declarações simples mas lindas a ela, posto que estavam juntos há um bom tempo, e assim queriam permanecer. Mas ela sabia que, apesar da preocupação dele em expressar-se mais claramente, tudo isso era desnecessário. Apenas com uma troca de olhares eu já sei exactamente o que quer me dizer, se pergunto, é porque quero ouvi-lo. Temos uma espécie de conexão inexplicável.
Comentários
Um senhor, aparentemente do campo rural, de seus 70 e poucos anos estava com uma trouxa de roupas nas costa e duas pequenas malas. Não era uma morador de rua, ele tinha sua casa, mas era em outra cidade, teve que vir para Jacarezinho por motivos de saúde, teria uma cirurgia daqui 3 dias, até lá estava sem ter onde ficar, descansar ou se alimentar. Não tinha dinheiro, só um cartão de banco, poderia pegar sua aposentadoria, se ela não estivesse uma semana atrasada...
Veio ao carro onde estava minha família, com dificuldade falou muito enrolado (devido ao seu problema de saúde), era mais do que aparente que estava envergonhado. Explicou sua condição e cada vez mais tentava pedir alguma ajuda, mas por vergonha não conseguia. Ele queria somente algumas moedas para comprar alguma fruta na feira, precisava se alimentar, mas ali também não tínhamos dinheiro... Minha mãe, meio sem jeito entregou uma barra de chocolate, naquele momento ele não precisava da nossa pena, muito menos da nossa consciência. Ele precisava da nossa ação concreta.
Pegou sem jeito o chocolate, agradeceu ainda mais sem jeito... Ele tinha fome.
Eu tinha a maior vergonha da minha vida por não saber agir, por não saber o que fazer...
No fim, fui embora e tudo ficou só como uma história...
É triste como no fim quase tudo é só uma história ;x