Cíntia

Eu almoçava. Ela chegou olhando em volta, óculos escuros e jeito curioso. Havia mesas vazias e eu comia a um canto. Caminhou até mim e perguntou:

- Tem alguém sentado aqui? - Indicando a cadeira ao meu lado.

- Não. Fique a vontade!

Me perguntei sobre os motivos que a levaram a querer minha companhia. Nesse meu último ano e meio de almoços em restaurantes vi tipos e costumes. É engraçado quanta gente diferente cabe em uma cidade pequena. Mas o que me intriga é que grande parte dessas pessoas almoça sozinha.

Começamos a conversar e percebi que ela só poderia ter sido enviada a mim, para compartilhar seu suco e sua filosofia. Eu a olhava e me via, um tanto modificada, mas ainda eu. Sua entrega, sinceridade e simpatia me tocaram profundamente.

Aquela mulher, que sem razão veio, sentou-se ao meu lado, almoçou e se foi, me disse, entre outras coisas, o que eu precisava e queria ouvir, antes mesmo que eu dissesse que concordava com cada palavra que saia de sua boca, coberta por batom rosa.

- Não sei lidar com mau humor, gosto de gente que sorri! [...] Boa educação é o essencial! [...] A gente recebe de volta aquilo que distribui e não é uma cara feia que eu quero que volte para mim. [...] Faça aquilo que você gosta, de maneira que teu sorriso venha daqui até aqui enquanto trabalha. - E mostrava as orelhas com os indicadores.

Cíntia se foi e eu me indagava sobre sua existência. Ela saiu e eu fiquei observando seu prato, a única prova de que ela estivera ali.

Comentários

Me pergunto se Cíntia gostaria de te encontrar para almoçar novamente ou se procura todas essas almas que estão por aí almoçando sozinhas! =,)

Acho que você teve uma experiência única e muito boa Fleur! *-*
Jéssica Marques disse…
Talvez Cíntia só ande por aí distribuindo seus sorrisos!

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