Amargor
Às vezes eu penso que estou me tornando uma pessoa amarga, tal qual aquele café velho e requentado, que amarra a boca só de olhar.
Tem dias que as pessoas me incomodam. Elas falam coisas que não quero ouvir, insistem para que eu goste de coisas, pessoas e lugares que no momento eu só quero um pouco de distância.
Não gosto dessa versão impaciente de mim. Mas me irrita ser a mãe, a responsável por pessoas que são mais velhas que eu!
Não quero mandar, não quero escolher, não quero decidir, ao menos por um tempo. Quero um descanso para a minha cabeça, mas as responsabilidades batem à porta o tempo todo, e o telefone toca, e a mensagem chega, e alguém chama, e eu preciso novamente cuidar, lembrar, fazer até o que não sou eu que estou fazendo.

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