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Veleidade

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Tenho fome tenho sede tenho muito tenho nada Quero colo quero cama quero sexo quero querer quero o ter tenho o querer tenho o ter que ninguém mais tem
Quando olho no espelho eu vejo uma garotinha . 5 anos, no máximo, eu diria. Uma garotinha de aparência tão frágil, tão indefesa que tenho até receio de magoá-la de alguma forma. Não sei se ela pode me ouvir, será que devo tentar? Espere. Os olhos dela, parecem em agonia. Parecem ter um buraco, um buraco negro neles. Estão tristes, amargos, amedrontados. Quero gritar, minha voz não sai, meus lábios parecem sequer se mexer, é como se eu não comandasse mais nenhum de meus sentidos. Não me movo para olhar para onde quero. Não posso tapar os ouvidos para não escutar meu subconsiente gemendo junto com o olhar da garota. Não sinto sequer o gosto da saliva em minha boca. O cheiro no ar é de medo, nada mais. Toda minha pele parece anestesiada, não sinto a temperatura do chão. Quem é essa garota? O que está fazendo comigo? Pare! Eu consigo finalmente gritar, a mim me soa como algo ensurdecedor. E de repente só o que vejo é o teto de meu quarto, e tudo está em paz novamente.

2010?

2010 já? Como assim? Não acredito, mais um ano passou, e eu cada vez ficando mais velha... Tá, todo mundo AMA ano novo, aqueles votos que todo mundo sempre faz, que tédio. Tá (de novo), é óbvio que eu REALMENTE desejo isso à todos, um ano de paz, amor, e tudo, tudo mesmo, de bom! Mas, não consigo querer que o tempo passe e eu cada vez fique mais velha e tenha que ter RESPONSABILIDADES, as temidas responsabilidades. Afee .. Deixa eu terminar esse post HORRÍVEL.

Meu lar, meu firmamento

Meu trapézio balançando lento, preso lá no firmamento e eu tentando me equilibrar. Equilibrar-me e quem sabe, de tão próxima, esticar lentamente minhas mãos na possibilidade de uma estrela alcançar. Mágico esse momento,esse lugar onde se podia de repente escutar: - Ah os meus bigodes! é tarde, é tarde, tão tarde até que arde, alô, adeus, é tarde é tarde é tarde. Estaria eu delirando ou teria mesmo ouvido o meu relógio de parede falar? Ponteiro dos segundos a correr, desesperado, obcecado em manter o tempo a girar e o 1o de Janeiro marcar. Mas novo ano entrou e o ponteiro não descansou. É tarde, é tarde, alô, adeus, hoje, ontem, amanhã, velho ano, ano novo, tudo igual, tudo igual, tudo igual ... Era o cuco do relógio balançando lento, na dança do tempo, e eu tentando me equilibrar no fio do presente sem resvalar no passado ou no futuro. Equilibrar-me no fio do presente e sentir, que mesmo sendo igual a tantos outros momentos do ontem, do velho ou do novo não é isso que importa. Existi...