Me prendi.
Me perdi. Não sei mais sentir, falar, ouvir. Não vejo mais a mim. E essa minha constante e insistente tentativa de fuga só prova mais e cada vez mais que não sei mais como agir. Deixei de ser um deles e me tornei uma de mim, que não se sente confortável nas mentiras, conversas sem sentido e coisa e tal.
Falsa timidez. Tem me ajudado. Ficar calada. Mas ela sabe. Ela sabe muito bem.
No fim da festa, eu me despedida, no meu modo pseudo-tímido de ser. Ela não foi a primeira, ou última, mas não era só mais uma.
Me abraçou com força e vontade, foi tão bom. Eu pensei em sair mas seu abraço me puxava e eu queria ser puxada. Senti sua pequenez que, através das gerações, me chegou em parte. Ao desvincilhar-me de seus braços pensei no quanto já sentiram, quantos foram os abraços e os dias de trabalho, quantos foram os filhos que lhe pediram colo e quantas vezes precisou negar, por motivos que agora lhe parecem sem sentido.
Ela me olhou nos olhos e eu vi tanta beleza e verdade neles que fiquei paralisada. Como pude pensar que não sou daqui? Que não vim desses olhos e braços, também?
- Fique bem. - Ela disse. - Eu te amo.
É complicado tentar explicar um sentimento tão bom e confuso. Ela disse "fique", mas não "fique aqui", apenas "fique bem". E seus olhos diziam "vá. Vá mas fique". E eu quis ficar, mesmo indo. Eu quis ficar mesmo querendo ir. Ficar naqueles braços que também me deram colo. Mas fui, porque seus olhos diziam e olhos de avó não mentem.

Comentários
Acho que sua vovó é alguém muito especial na sua vida Jésca, cuide bem dela! Me parece alguém muito bom de estar perto! =D
PedrodeAmolar
Bjos
Eilan
borderline-girl.blogspot.com
Que lindo!
Lindo de uma forma doce, suave e única como o abraço e o sentimento de quem ama profundamente.
Achei linda a homenagem,
avós são mesmo tudo de bom.
Um beijo.
Jhosy
http://meninamsicaeflor.blogspot.com.br/