Vento frio
Texto retirado do diário de Alice S. (11 de julho de 1998)
- Vento frio, vento da manhã. Vento frio, vento da manhã...
Continuei cantarolando a canção que aprendera há tanto tempo. Gosto do céu acinzentado da manhã. Gosto também desse cheiro de mar. A falta de vida humana ao meu redor é o maior consolo que poderia querer.
Me sento, observando as ondas ainda agitadas pela noite que se esvai. Olho para a minha direita: gaivotas vão em direção ao mar cor de cinza, em busca de seu café da manhã.
De onde vem o cinza do mar?
À esquerda, um pequeno rochedo com o sopé coberto de lodo, que é o refúgio de muitos casais madrugada afora. Novamente me lembrei das pessoas e foi como se uma onda daquele mar cinza tivesse se prolongado até onde eu me encontrava e me acertado com força, molhado meu corpo todo, me molhado por dentro.
Como é se molhar por dentro?
Devagar, me concentrando em cada um dos meus movimentos, me levantei. Pude sentir todos os meus músculos doloridos pela noite não dormida na areia dura da praia. Puxei, delicadamente, o zíper que fechava meu vestido branco e deixei que este caísse sobre meus pés que já mudavam de tom por causa do frio.
Seria mesmo o branco uma mistura de todas as cores?
Caminhei em direção ao mar. Quando criança, tinha medo do mar. Acho que era meio grande e forte demais para mim. A água fria, mas não tão fria quanto imaginava, toca meus pés. Sem pressa, caminho, apenas caminho. Vou indo e sentido o entorpecimento tomar conta de cada centímetro da minha pele, pelos e cabelos. Afundo.
O sal arde na garganta.
Eles me merecem viva.
Comentários
a estética ficou perfeita .-.
Muito rico seu texto menina! *-*
Continue assim, apaixonante! Haha =D
Abraços
PedrodeAmolar
Muito bom mesmo.
Bjos,
Eilan
borderline-girl.blogspot.com