segunda-feira, 25 de maio de 2015

L’appel Du vide



Encarar o vazio.
Primeiro era o vento, e o turbilhão de sentimentos. A raiva, o choro, o desespero mas nunca o medo. Não. O medo não. O medo sempre fora uma invenção, uma forma de fugir de tudo, fingir ter medo.
A realidade me batia no rosto junto daquele vento forte e parecia me cortar as faces. Era como um milhão de folhas raspando em minha pele. Eu olhava para baixo e via o nada. E o nada me olhava de volta.
Depois era o vazio, e a torrente de lembranças. A noite passada e os entorpecentes. O carro indo embora e me deixando no meio da estrada. Os risos. Os olhos. As palavras e o eco das palavras. O eco é sempre maior, na verdade. Minha cabeça tem uma reflexão sonora imensa.
E, como um choque, a água. E com ela o frio. E com o frio a calma. O mar por cima é agitado, cheio de ondas e violência. Ao submergir, observa-se o mar verdadeiro. Calmo e silencioso. Eu estava finalmente em paz. Estava no frio, na calma, no silêncio do mar.
Então eu finalmente encontrei o medo.

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