sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cíntia

Eu almoçava. Ela chegou olhando em volta, óculos escuros e jeito curioso. Havia mesas vazias e eu comia a um canto. Caminhou até mim e perguntou:

- Tem alguém sentado aqui? - Indicando a cadeira ao meu lado.

- Não. Fique a vontade!

Me perguntei sobre os motivos que a levaram a querer minha companhia. Nesse meu último ano e meio de almoços em restaurantes vi tipos e costumes. É engraçado quanta gente diferente cabe em uma cidade pequena. Mas o que me intriga é que grande parte dessas pessoas almoça sozinha.

Começamos a conversar e percebi que ela só poderia ter sido enviada a mim, para compartilhar seu suco e sua filosofia. Eu a olhava e me via, um tanto modificada, mas ainda eu. Sua entrega, sinceridade e simpatia me tocaram profundamente.

Aquela mulher, que sem razão veio, sentou-se ao meu lado, almoçou e se foi, me disse, entre outras coisas, o que eu precisava e queria ouvir, antes mesmo que eu dissesse que concordava com cada palavra que saia de sua boca, coberta por batom rosa.

- Não sei lidar com mau humor, gosto de gente que sorri! [...] Boa educação é o essencial! [...] A gente recebe de volta aquilo que distribui e não é uma cara feia que eu quero que volte para mim. [...] Faça aquilo que você gosta, de maneira que teu sorriso venha daqui até aqui enquanto trabalha. - E mostrava as orelhas com os indicadores.

Cíntia se foi e eu me indagava sobre sua existência. Ela saiu e eu fiquei observando seu prato, a única prova de que ela estivera ali.

2 comentários:

Pedro Henrique disse...

Me pergunto se Cíntia gostaria de te encontrar para almoçar novamente ou se procura todas essas almas que estão por aí almoçando sozinhas! =,)

Acho que você teve uma experiência única e muito boa Fleur! *-*

Jéssica Marques disse...

Talvez Cíntia só ande por aí distribuindo seus sorrisos!