domingo, 12 de setembro de 2010

Devaneios

Na penúltima aula do cursinho, meu professor nos passou este vídeo, e pediu para que escrevêssemos uma dissertação baseada nele:
vídeo aqui
Nos foram dados 40 minutos para pensar, escrever e passar a limpo tal redacção. Por mais de meia hora eu pensei, fui tomar água, vi que todos escreviam e desisti. Sei que não é bem do meu feitio desistir assim, mas eu não fazia ideia do que dizer. Foi quando o professor disse:
-Todos os alunos devem me entregar, nem que seja uma folha em branco.
Como assim? Entregar uma folha é branco é o mesmo que dizer: "Passei os últimos 40 minutos sem pensar em NADA!" Eu não podia fazer isso, então comecei a rabiscar algo no papel:
Olhando o papel em branco eu vejo o tudo, eu vejo o nada. Vejo um texto que não quero escrever, um tema que não entendi, algo que preciso aprender. Por que é mais fácil escrever o que vem de dentro de você, mesmo quando se é um observador?
O ar viciado da sala fechada me dá dor de cabeça, é incrível como alguém consegue pensar com isso. Agora já tenho certeza de que desisti de fazer a redacção, talvez eu entregue este papel... Seria muita cara-de-pau! Mas é melhor do que nada, significa que eu estava pensando e não só olhando para o tempo durante os quarenta minutos.
Tema abstracto! Achava que seria bom para mim escrever sobre algo assim, já que costumo escrever textos abstractos, talvez sejam só palavras rabiscadas num pedaço de papel, ou poemas de quinta categoria, mas eu não me importo.
Conflito de gerações pode parecer um tema fácil. Eu tentei e não saiu nada. Falar sobre o quê? Velhinhos mal-tratados? Filhos incompreesivos? Tudo parece tão sentimentalista quanto este próprio texto, se é que meu professor achará que é um texto. Provavelmente vai pensar que é idiotice, ou até mesmo perda de tempo mas, como eu já disse, não me importo.
Quinta feira, quando ele ia nos devolver o texto corrigido, achei que ele todo estaria rabiscado e corrigido, mas só vi duas anotações: A PORTA ESTAVA ABERTA e POR QUE VOCÊ NÃO SE IMPORTA?
Não sei se eu tenho resposta para esta indagação, mas acredito que o que eu disse não seja mais verdade, já que eu gostei da expressão dele ao devolver-me o texto, gostei da sua opinião, então sim, eu me importo.

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