domingo, 29 de janeiro de 2012

-Você não quer brincar?


-Hum... Não, estou esperando a minha mãe.
-E onde ela foi?
-Ela disse que já voltava, falou para eu esperar aqui.
-Tá bom, então.
E a moça simpática saiu pela praça, empurrando seu carrinho de bebê. Sara queria se lembrar de como era quando a mãe a empurrava no carrinho de bebê, mas não era um carrinho tão bonito quanto aquele, ela sabia porque havia visto no álbum de fotos uma vez uma foto de uma garotinha que se parecia muito com ela, só que bem menor, ela estava deitada num carrinho de bebê branco e meio sem graça, Sara imaginou que fosse ela há muito tempo, pois do lado do carrinho estava a mãe dela, mas também estava muito diferente. Mais gorda, mas imaginou que fosse porque tinha um bebê. Uma vez a Tia Felícia disse para uma amiga dela, que vivia indo na sua casa:
-A Ana tá enorme de tão gorda, mas também, tem um bebê!
E desde então Sara sabe que mulheres que tem bebês são gordas, mas ainda não conseguiu ver uma relação nisso. Mas não era só isso que diferenciava a mãe que aparecia na foto da mãe que a deixara na praça esperando. Havia uma coisa bem maior: a mãe da foto sorria. E não trazia entre os dedos um cigarro aceso, como era de costume. Sara teve a impressão que talvez o motivo do sorriso bonito de sua mãe fosse o homem que estava do outro lado do carrinho, que olhava para ela de um jeito bonito, e também sorria.
Sara não se lembrava de mais detalhes da foto, tampouco vira outras, porque havia ouvido o costumeiro ranger da porta, sinal de que a Tia Felícia havia chegado para levá-la para a escola, então guardou as fotos bem rápido na caixinha que ficava escondida no fundo da última gaveta da cômoda da mãe e correu para a sala.
Tia Felícia não era muito paciente com atrasos, na verdade não era paciente com coisa alguma, mas principalmente com atrasos.
Foi nessa hora que Sara pensou: "se fosse a Tia Felícia ao invés dela esperando pela mãe na praça, ela não se atrasaria tanto assim!".
Mas mesmo assim ela se atrasou mais um pouco, então Sara pensou em ir embora, quando se lembrou que não sabia para que lado ficava a sua casa. E mãe se atrasou mais um pouco. As crianças dos balanços foram embora, uma a uma, quando as mães as chamavam. E a mãe se atrasou mais um pouco. E o sol também foi indo, e Sara começou a sentir um pouco de frio, e um pouco de fome também, e desejou que a moça simpática do carrinho de bebê voltasse, talvez ela soubesse ir embora dali.

4 comentários:

PeDrAuM disse...

Se isso for um pedaço de um livro que a senhorita está escrevendo pode fazer o favor de liberar as mercadoria pros consumidor da arte, tá ligado mano!?!??! xDDDDDDD
Realmente pareceu algo tirado de uma obra maior, e se por um acaso ainda não for pode ser um bom projeto a se pensar! ;P
Muito bom texto Fleur! É um daqueles que transportam você pro mundo da menina sentada na praça! *-*

Abraços e aguardo mais postagens! =D

Jéssica Marques disse...

Eu fiquei mesmo pensando depois que terminei em como a história poderia continuar... Gosto de texto assim, que ao mesmo em que contam o que está acontecendo vão voltando e mostrando como tudo chegou até ali. Talvez volta e meia eu escreva mais sobre a Sara e a família dela! :D

andre disse...

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