quarta-feira, 20 de junho de 2012

Chuva


Mas não era qualquer chuva, foi algo torrencial. E eu, com meu quase guarda-chuva, tentando atravessar a rua. Súbito começo a rir, pareço uma idiota aqui, mas é que a água que desce pela rua quase me cobre os joelhos. Eu bem que poderia saber nadar. Seria bem mais divertido que tentar andar com um quase guarda-chuva cor de mostarda que não me servia de nada, pois eu estava ensopada, na mão. Não foi uma sensação ruim, a água era limpa, o que não é lá muito normal. Água de chuva é limpa enquanto cai, mas não posso dizer o mesmo depois que ela já está no chão. Gosto de ser óbvia de vez em quando, o mundo vive achando que sabe de coisa demais para se ser óbvio. Acho que já está na hora de eu tentar atravessar esse quase-riacho no meu caminho. Hoje o meu dia está cheio de quases! Eu, só alguém com um quase guarda-chuva tentando atravessar um quase-riacho. Devagar e cautelosamente, como quem não quer machucar o chão, eu fui. Agora sim meu joelhos estão molhados! O problema vai ser subir as escadas na contramão, posto que as águas descem. Será que posso eu ser multada por subir uma escada na contramão? Melhor então seria deixar as águas descerem as escadas em paz e dar a volta pelo outro lado. Acho que não me lembro mais para onde estava indo, andar na chuva é tão cansativo e reconfortante ao mesmo tempo que penso em tantas coisas sem nem perceber que caminho tomei para chegar onde cheguei. Ei! Parece que pessoas secas e sem guarda-chuvas vem na minha direção. Olho par cima e vejo o teto. Eu já entrei na faculdade há um bom tempo e sequer percebi. Fecho meu quase guarda-chuva cor de mostarda e subo as escadas, porém desta vez não estou na contramão. Estranho, não tem ninguém no corredor. Também pudera, com esta chuva a cair sem tréguas ninguém em sã consciência sairia de casa. Mas porque eu saí então? Foi como se de uma só vez eu me lembrasse da minha vida toda, de quem eu era e o que fazia. Olho para o relógio e percebo: já fazem 15 minutos que eu deveria estar fazendo uma prova.

2 comentários:

PeDrAuM disse...

Um daqueles dias que a gente se diverte um bocado, pensa nas coisas mais bobas como por exemplo no sexo do guarda-chuva e se sente tão livre... aaaahhhh... Muito bons ter dias assim...
Obrigado por compartilhar! ^_^

Jéssica Marques disse...

O sexo do guarda-chuva segundo Lygia Bojunga, ok? Quando puder leia "A bolsa amarela", é um livro infantil e realmente muito bom :D