quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pressa

Pressa, pressa, pressa. Tanta coisa para fazer!

Chego naquela velocidade de sempre, de quem nem corre nem anda, e me apresso a guardar minhas coisas. Me incomoda, principalmente quando tenho muito a fazer, ver tudo fora do lugar. Então, pus logo a bolsa no guarda-roupas, arrumei minha cama que ainda estava por fazer. Fora um longo dia de trabalho que estava longe de acabar.

Já tirava os sapatos e separava uma roupa confortável para vestir quando olhei pela janela, coisa que sempre faço na verdade, posto que do terceiro andar já se tem uma visão levemente privilegiada do mundo, e percebi que chovia.

Foi quando parei. Estaquei. Coloquei a cabeça para fora e respirei bem fundo aquele cheiro que é um dos mais maravilhosos do mundo: o de terra molhada. Nesse momento, se apossou de mim uma vontade plena de estar naquela chuva fraca, de ser parte dela, de não ter pressa ou coisas a fazer. Uma vontade de ser mais eu, mais chuva, que cai e molha, que mata e faz viver, que trás e leva tantas sensações e vontades.

"Quero tomar banho de chuva!"

"Então vamos."

Mas, foi só eu descer as escadas e atravessar a rua, em direção a praça, para a chuva, de pirraça, parar de cair. Parecia até que queria se divertir comigo, me seduzindo e me deixando só na vontade.

"Cadê a chuva?"

"Foi embora, já."

Só me restou, afinal, esse banho de chuveiro quente pois já voltava eu a ser fria. A pressa me esfria, o dia-a-dia me esfria, as pequenas decepções cotidianas também. E esse banho que escorre quente pela minha pele que se arrepia com o vento que entra pela janela aberta não me aquece, não me conforta.

O tempo tem me deixado fria. Esses pequenos momentos, essas chuvas que me fazem querer ser chuva são minha salvação diária. E um banho quente pode tentar ajudar. Ele faz o que pode, enfim.

Do dia de hoje só espero mais três coisas, então: poder estudar por algumas horas, um bom cappuccino e uma visita, ao final.

E que a minha frialdade me deixe.

8 comentários:

รяª Nathalia disse...

Quando li o titilo me lembrei dessa musica do Coldplay: http://letras.mus.br/coldplay/79231/traducao.html

Segundo: ADOREI, sua forma de escrita, a pressa acaba nos "matando" aos poucos. Queria ser mais simples, sabe... dar valor as coisas mais simples possíveis. Meus olhos estão tão focados no futuro que acabo esquecendo o presente, e quero reviver o passado.

Amei, publiquei um trecho, na minha page: Aqui : https://www.facebook.com/pages/Minha-forma-de-Express%C3%A3o/226848384012472?fref=ts

Jéssica Marques disse...

Ai que demais que você gostou, Natália! Pois é... E do que adianta viver o futuro e se esquecer do presente?

Pedro Henrique disse...

"Só me restou, afinal, esse banho de chuveiro quente pois já voltava eu a ser fria. A pressa me esfria, o dia-a-dia me esfria, as pequenas decepções cotidianas também. E esse banho que escorre quente pela minha pele que se arrepia com o vento que entra pela janela aberta não me aquece, não me conforta."

E tem a ousadia de dizer que sua escrita decaiu? Ficou muito bom o texto! =D

E que o calor da chuva fria aqueça e livre o seu corpo da frialdade do seu banho quente! Haha

PedrodeAmolar

Jéssica Marques disse...

"E que o calor da chuva fria aqueça e livre o seu corpo da frialdade do seu banho quente!"

Que lindo isso!

DANILO + disse...

Veloz! O melhor que já li aqui. Inspirada. Parabéns!

Jéssica Marques disse...

Haha acho que ontem eu tava mesmo :D

Laina Foleto disse...

Amei , muito bom !
http://blogmocafina.blogspot.com.br/
Beijos !

Jéssica Marques disse...

Obrigada, Laina :D