terça-feira, 16 de abril de 2013

Um conforto novo


" Sensação de frio na barriga. Sara nunca havia estado em um elevador antes. Mudar-se de uma casa com enorme quintal, pés de fruta e vizinhos para o 51º andar de um prédio é realmente radical. Ela trazia nas mãos o urso, Tito, que ganhara de aniversário de três anos do pai. Foi nessa ocasião que Sara o vira pela última vez, o que faz com que essa não se lembre exatamente de seu rosto e o fato de a mãe, numa crise de bebedeira, ter atirado fogo em todos os álbuns de fotografia não ajudava em nada.

A porta do elevador se abre. É hora de sair e caminhar até o apartamento de número 504 500. Morar no maior prédio do mundo é realmente assustador, mesmo para uma garota de cinco anos de idade, com toda sua força e imaginação. Ao entrar no apartamento, Sara mal ouviu o que sua tia, Felícia, dizia sobre não sujar o carpete da casa nova e correu para conhecer o que seria seu quarto.

Foi só bater o olho naquele amplo espaço branco - um quarto 2x2 é, com certeza, amplo para quem mal tem um metro de altura - para perceber que poderia ser feliz ali. Pode pensar o quão interessante seria morar num quarto nunca antes habitado por alguém. Ele era seu e ela o faria ser dela.

Acomodou Tito em um canto, de modo que este parecesse confortável, encostou a porta, como costumava fazer quando pretendia dar vazão aos seus sentimentos. Tia Felícia já a conhecia suficientemente bem para não a incomodar nesses momentos, mesmo que Sara gritasse, pedisse por socorro, gargalhasse ou reagisse da mais estranha ou irreverente maneira.

A garota sentou, postando de frente para o urso de pelúcia que era seu maior segredo e disse:

- Quero estar feliz, Tito. Feliz neste novo lugar.

No mesmo instante, brotou de dentro de si um calor que produzia um conforto novo e inexplicável e Sara, no mesmo instante, se imaginou vivendo as maiores e mais plenas alegrias nessa nova fase de sua vida. Imaginou um homem de rosto bonito, parecido com o da capa da revista da Tia, que lhe abraçava e chamava de filha. Lembrou-se da mãe, como só a vira raras vezes, limpa, cheirosa e sorrindo. Nada de bebidas, nem cigarros em suas mãos, mas sim um presente com um cartão que dizia Para Sara, com amor.

Porém, ao dar por si, ela abriu os olhos e encarou o urso profundamente. Tudo aquilo era uma mentira e nunca aconteceria. O choque da realidade produziu o mesmo efeito de um balde de água semi-congelada sendo jogado em sua cabeça - com balde e tudo, é claro!

Da sala, Tia Felícia ouviu os costumeiros gritos enquanto pensava sobre as possíveis reações dos vizinhos. "

Texto e personagens criados para "O Maior Prédio do Mundo". Tema: "Construa uma máquina, capaz de gerar infinitas emoções."

8 comentários:

Pedro Henrique disse...

Quando lançar o livro me fale pra comprar pra mostrar sua história para todas as pessoas da minha família! Haha *--*

Muito lindo o texto! Me tocou lá no profundo das profundezas essa menina que vive nas alturas! =)

PedrodeAmolar

Jéssica Marques disse...

Se meus textos saírem, né? haha

Pedro Henrique disse...

Sairão! Acredite! Haha =D

Jéssica Marques disse...

Ah! Sei não, hein? deu uma olhada nos outros textos?

Pedro Henrique disse...

Nom! Onde estão?

Jéssica Marques disse...

No site!

Pedro Henrique disse...

Lerei todas que a vontade me permitir! Entrarei em todos os apartamentos e vasculharei todas as vidas! >=D

Jéssica Marques disse...

kkkkkkkkkk e expulse quem mora na cobertura, por favor, pois desejo aquele apartamento!